Leão XIV celebrou a Missa da Solenidade do Sagrado Coração de Jesus nesta sexta-feira, 12, e refletiu, em sua homilia, sobre mistério do amor de Deus revelado aos pequeninos
Da Redação, com Boletim da Santa Sé

Papa Leão XIV saúda fiéis presentes na Missa em Tenerife / Foto: REUTERS/Yara Nardi
O Papa Leão XIV celebrou a Missa da Solenidade do Sagrado Coração de Jesus nesta sexta-feira, 12, no porto de Santa Cruz de Tenerife. Este foi o último compromisso do Pontífice antes de sua despedida da Espanha, que o recebe em viagem apostólica desde o dia 6.
Em sua homilia, o Santo Padre afirmou que é uma graça celebrar o dia em que o Coração de Jesus se deixa contemplar pelos homens como o “coração da história”. Ele expressou sua alegria pelo testemunho de fé e caridade que recebeu nas Ilhas Canárias e durante sua viagem apostólica.
Acesse
.: Todas as notícias sobre a viagem do Papa à Espanha
Tomando a figura do céu e do mar, Leão XIV destacou que é infinito o desejo que une o coração de Deus aos homens, cujas alegrias e esperanças, tristezas e angústias encontram eco no coração da Igreja. “Nenhum ser humano é uma ilha”, pontuou, “nascemos para o encontro e não há obstáculo, distância, perigo ou ameaça que possa impedir cada um de prosseguir a sua viagem”.
“Eis o segredo do coração: o íntimo chamamento ao êxodo e ao encontro”, frisou o Papa. O Sagrado Coração de Jesus, contudo, revela que não se pode perder em um dinamismo estéril. “Há vida quando se dá vida. Caso contrário, andamos às voltas no vazio”, salientou o Pontífice.
Deixar-se evangelizar pelos pequenos
O Santo Padre recordou que o ser humano é chamado à comunhão com Deus e não pode encontrar-se plenamente a não ser no sincero dom de si mesmo. Tal vocação traduz-se no acolhimento, refletido no chamado turístico de Tenerife — seja para receber aqueles que decidem passar um período de férias, seja para acolher quem vive e trabalha na ilha —, que não deve se deixar reduzir ao comércio e ao lucro.
“O Evangelho, hoje, parece radicalizar este desafio e recorda-nos a riqueza dos pobres”, refletiu Leão XIV. Segundo o Papa, este é um paradoxo que remete diretamente à vida de Jesus, que aponta como Deus revelou-Se a Si mesmo aos pequeninos, aqueles que ninguém considera capazes de pensar e falar.
Este mistério, sinalizou o Pontífice, ressoa de modo peculiar no arquipélago canário, situado no centro de rotas migratórias que o torna um local de primeiro acolhimento a irmãos cuja viagem está geralmente exposta a perigos e violências. Frente à recepção oferecida aos que chegam, o Santo Padre indicou que é uma graça deixar-se evangelizar por aqueles que são socorridos, reconhecendo a misteriosa sabedoria de Deus:
“Crescidos em extrema precariedade, aprendendo a sobreviver nas condições mais adversas, confiando em Deus com a certeza de que mais ninguém os leva a sério, ajudando-se mutuamente nos momentos mais sombrios, os pobres aprenderam muitas coisas que guardam no mistério dos seus corações. Aqueles de entre nós que não fizeram experiências semelhantes, de viver à margem, certamente têm muito a receber da fonte de sabedoria que é a experiência dos pobres. Só comparando as nossas queixas com os seus sofrimentos e privações é possível receber uma repreensão que nos convida a simplificar a vida” (Dilexi Te, n. 102).
“Abri a todos este mar de amor”
Aproximando-se do fim de sua homilia, Leão XIV agradeceu pelo trabalho realizado na ilha, transformando-a em um lugar onde se encontra o Coração de Cristo no rosto amigo e hospitaleiro de pessoas e comunidades fraternas.
“Prestai atenção aos adolescentes e aos jovens, aos ricos e aos pobres, aos residentes e aos hóspedes”, exortou o Papa. “Todos eles precisam de ser conhecidos com um olhar que vê além das aparências e reconhece a profundidade dos seus corações inquietos, que não raras vezes está já orientado, talvez inconscientemente, para o Reino de Deus e a sua justiça”, salientou.
Este é o coração do Evangelho, sinalizou o Pontífice, o coração de Cristo. “Quem mergulha nele não vive já para si mesmo. Abri a todos este mar de amor! É este o meu desejo e a minha oração por vós e por todos aqueles que vos conhecerão”, concluiu.




