No texto, Leão XIV sinaliza como clamor dos pobres é abafado pelos poderosos e reflete sobre refúgio dado por Deus, que encarna-Se e experimenta a pobreza humana
Da Redação, com Vatican News

Foto: Canva
A Santa Sé divulgou neste domingo, 14, a mensagem do Papa Leão XIV para o 10º Dia Mundial dos Pobres. A data foi instituída pelo Papa Francisco em 2016 e é celebrada anualmente, no 33º Domingo do Tempo Comum — este ano, no dia 15 de novembro, com o tema “O Senhor é o refúgio do pobre” (Sl 14, 6).
No início de sua mensagem, o Santo Padre destaca a palavra do salmista, que escreve: “O insensato diz em seu coração: ‘Não há Deus!’. Corruptas e abomináveis são as suas ações; não há quem faça o bem” (Sl 14, 1). Segundo Leão XIV, nota-se um contraste entre os que se comportam com sabedoria e os que levam a vida como se não houvesse nada acima deles.
“Infelizmente, também nos nossos dias é difundida uma injustiça social que brota de uma corrupção arrogante, tão deplorável quanto discriminatória. A perda do sentido de transcendência na vida cotidiana já não é tanto uma negação teórica da existência de Deus; antes, manifesta-se em não considerar a sua bondade e misericórdia na construção da justiça pessoal e social”, reflete o Papa.
Um clamor silenciado
O Pontífice salienta que, frente a essa realidade, os primeiros a sofrerem as consequências são os pobres. A “ausência de Deus” faz com que as pessoas já não se coloquem umas ao lado das outras, observou, mas umas acima das outras, em um clima de domínio e opressão que alimenta uma lógica mundana de abuso de poder e descarte.
Segundo o Santo Padre, encontram-se nestas condições não só indivíduos, mas populações inteiras. Além disso, evidencia que o clamor dos pobres por justiça é hoje abafado por múltiplas técnicas, cada vez mais dissimuladas, a ponto de silenciar todos os seus esforços para fazer ouvir as suas reivindicações.
Leão XIV cita, de maneira especial, o ambiente digital, que radicaliza o preconceito e aumenta a cortina de indiferença que envolve as suas causas. O Papa sinaliza que ao pobre resta clamar por Deus e fazer chegar até Ele o seu lamento, com a certeza de ser ouvido, porque Deus é fiel e rico em misericórdia.
“O Senhor é o refúgio do pobre”
Refugiar-se em Deus equivale a encontrar a proteção verdadeira e segura, aponta o Santo Padre — algo que os poderosos não podem garantir e preferem negar. Diante disso, o pobre sabe reconhecer o essencial, porque vive do essencial. “Semelhante a Cristo mais do que qualquer outro, reconhece Deus como seu refúgio, mesmo quando as circunstâncias parecem contradizê-lo, e está cheio de esperança na justiça divina, que não tardará a manifestar-se”, expressa.
“Ser refúgio não é apenas uma promessa, mas torna-se realidade na pessoa de Jesus”, prossegue Leão XIV, “Jesus Cristo é verdadeiramente o refúgio de Deus para os pobres”. A partir de seus ensinamentos, também os cristãos são chamados a se tornarem pobres e serem refúgio para os pobres.
Neste contexto, o Papa salienta que a comunidade cristã não pode permanecer insensível perante tantos que hoje se encontram à porta e permanecem invisíveis para aqueles que estão fechados em si mesmos. “A Igreja, pela sua própria natureza, é chamada a ser pobre e refúgio para os pobres”, frisa.
Exame de consciência
Frente a isso, o Pontífice sugere alguns questionamentos que todos devem fazer a si mesmos: “Somos sinal de um Deus que é refúgio para os pobres? Temos consciência da nossa pobreza e a preferimos à riqueza injusta? Chegamos onde se encontram os pobres, experimentando a sua marginalidade?”
“Estas e muitas outras questões obrigam-nos a um sério exame de consciência, para verificar o quanto ainda somos chamados a ser em favor dos pobres e da sua libertação”, comenta o Santo Padre.
Desta forma, prossegue Leão XIV, os pobres se tornam refúgio uns para os outros. “A experiência da pobreza faz-nos particularmente sensíveis a uma solidariedade renovada perante os desafios”, afirma.
“Quem tem Deus como refúgio é livre para fazer escolhas proféticas, que testemunham como tudo pode ser repensado a partir de baixo, na humildade e na fraternidade que, por si sós, curam um mundo ferido pela prepotência”, conclui o Papa.
.: Leia a mensagem do Papa Leão XIV na íntegra




