DIA DO MEIO AMBIENTE

Papa: substituir a cultura do descarte pela cultura do respeito e do cuidado

Em audiência com promotores do Festival Verde e Azul, realizado em Milão, Francisco destacou a urgência da necessidade de mudar o comportamento da humanidade diante do planeta, do próximo e de Deus

Da Redação, com Vatican News

Papa Francisco recebe organizadores do Festival Azul e Verde, realizado em Milão, na Itália / Foto: Vatican Media/IPA via Reuters Connect

No Dia Mundial do Meio Ambiente, uma audiência para falar sobre os cuidados com o planeta. Nesta segunda-feira, 5, o Papa Francisco recebeu no Vaticano os promotores do Festival Verde e Azul (“Green and Blue Festival”).

O evento acontece entre os dias 5 e 8, em Milão, na Itália. É organizado pelo projeto editorial do grupo italiano Gedi, dedicado à sustentabilidade e ao ambiente.

O Papa iniciou o seu discurso recordando a primeira Conferência das Nações Unidas sobre o Ambiente Humano, realizada há 51 anos em Estocolmo, na Suécia. Ele afirmou que essa conferência “deu início a vários encontros que convocaram a Comunidade internacional a debater como a humanidade está administrando nossa Casa comum”. É justamente por isso que 5 de junho se tornou o Dia Mundial do Meio Ambiente.

Consciência e responsabilidade

Na sequência, Francisco citou como diversos eventos mundiais, a exemplo do advento das novas tecnologias e o impacto da pandemia de Covid-19, tornou a sociedade mais globalizada, mais próxima, mas não “irmã”.

“Vemos uma ‘crescente sensibilidade em relação ao ambiente e ao cuidado da natureza’, amadurecendo ‘uma preocupação sincera e dolorosa pelo que está acontecendo ao nosso planeta’. Os especialistas destacam claramente como as escolhas e ações implementadas nesta década terão impactos por milhares de anos. Ampliou-se o nosso conhecimento sobre o impacto das nossas ações na nossa Casa comum e naqueles que a habitam e habitarão”, declarou.

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O Santo Padre prosseguiu indicando o aumento do senso de responsabilidade de todos diante de Deus. Recordando sua Carta Encíclica, Laudato Si’, afirmou que enquanto a sociedade pós-industrial pode ser considerada uma das mais irresponsáveis da história, espera-se que a humanidade do século XXI seja lembrada por ter assumido sua responsabilidade.

Adotar um comportamento responsável e justo

Neste contexto, o Papa falou também das mudanças climáticas que afetam o planeta, “particularmente os mais pobres e frágeis, aqueles que menos contribuíram para a sua evolução. É primeiro uma questão de justiça e depois de solidariedade. As mudanças climáticas também nos levam a basear nossa ação na cooperação responsável de todos: nosso mundo é muito interdependente e não pode se dar ao luxo de ser dividido em blocos de países que promovem seus interesses de maneira isolada ou insustentável”.

O comportamento irresponsável é o verdadeiro inimigo em um conflito global, frisou Francisco. Ele recordou de uma visita de pescadores de San Benedetto del Tronto, na região das Marcas, na Itália, que falaram sobre terem recolhido 12 toneladas de plástico do mar. Por isso, para o Pontífice, as comunidades internacionais devem priorizar ações coletivas, solidárias, que reconheçam a grandeza do desafio que se apresenta.

“É um ‘grande’ e exigente desafio, porque exige uma mudança de rumo, uma mudança decisiva no atual modelo de consumo e produção, muitas vezes imerso na cultura da indiferença e do descarte, descarte do ambiente e descarte das pessoas”, ressaltou. Neste sentido, o Papa também falou sobre a redução do uso do plástico, proibido no Vaticano. Assim, já foi atingido o índice de 93% de uso de materiais sem plástico.

Promover a cultura do respeito e do cuidado

A cultura do descarte não é sustentável, e vários setores do mundo científico indicam isso. Sua mudança é urgente. É preciso, segundo Francisco, passar para a cultura do respeito e do cuidado, com a criação e com o próximo, perto ou distante no espaço ou no tempo.

“É necessário acelerar esta mudança de rumo em favor de uma cultura do cuidado, como se cuidam das crianças, que coloque no centro a dignidade humana e o bem comum, e que se alimente daquela aliança entre o ser humano e o ambiente que deve ser um espelho do amor criador de Deus, de quem viemos e para o qual caminhamos”, concluiu o Santo Padre.

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