Conversa sobre situação dos refugiados

Papa recebe amigos argentinos exilados durante ditadura

Francisco falou sobre a globalização da indiferença que leva a sociedade a fechar os olhos para a causa dos refugiados

Da Redação, com Rádio Vaticano

Francisco e amigos argentinosO Papa Francisco recebeu na Casa Santa Marta dois amigos argentinos, os irmãos Carlos e Rodolfo, que fugiram para a Suécia, em 1970, como refugiados políticos durante a ditadura militar. O encontro, que durou quase uma hora,  aconteceu na tarde de quarta-feira, 12.

O Vaticano informou que a conversa teve início com as recordações do Papa sobre a amizade e situações vividas pelos irmãos na Argentina. Na época, Jorge Mario Bergoglio trabalhava num laboratório de química.

O Pontífice lembrou de sua amizade com um Pastor Luterano, Anders Gutt, com o qual partilhou, em Buenos Aires, a cátedra de Teologia Espiritual. “Éramos um jesuíta e um luterano e nos entendíamos muito bem”, disse o Pontífice. O Pastor Gutt ensinava “espiritualidade da reforma” e Padre Bergoglio a “espiritualidade católica”.

O Papa elogiou o acolhimento da Suécia que abriu as fronteiras para os imigrantes, integrando-os na própria sociedade. “O mundo deve ser mais solidário com os refugiados. Alguns países fecham suas fronteiras e isso não é bom”, disse.

“Os refugiados hoje são muitos e ninguém os quer. São como um ‘palavrão’. Nós, em nossa fé cristã, sabemos que Jesus foi um refugiado quando era criança. É uma das primeiras mensagens do Evangelho. Jesus um refugiado e não um turista. Ele não fugiu por motivos de trabalho, mas fugiu da morte, como um refugiado”, disse o Papa Francisco.

Francisco falou ainda da globalização da indiferença que leva a sociedade a fechar os olhos para a causa dos refugiados, e deu exemplo da ilha italiana de Lampedusa. “O povo de Lampedusa junto com a prefeita, que é uma mulher forte e corajosa, entendeu que sua missão é acolher”, contou o pontífice.

Sobre os países europeus, Francisco disse que muitas vezes os refugiados não são bem acolhidos e correm o risco de ficarem pelas estradas, roubando ou se prostituindo.  Ele recordou o trabalho dos jesuítas iniciado por Padre Pedro Arrupe, fundador do “Serviço Jesuíta para Refugiados”, porém ressaltou a necessidade da Igreja  aumentar sua ação neste campo.

Por fim, o Papa recordou os quatro milhões de imigrantes na Argentina, dentre os quais os paraguaios e bolivianos são a maioria, e destacou  o grande papel das mulheres paraguaias na preservação do país.

“Para mim, a mulher paraguaia é a mais heroica da América. Depois da guerra, a cada dez pessoas, oito eram mulheres. Essas mulheres escolheram ter filhos para salvar a pátria, a língua, a cultura e a fé. Desejo que um dia o Comitê do Prêmio Nobel dê o prêmio à mulher paraguaia por salvar a cultura, a pátria. Ela foi heroica”, declarou.

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