Mesmo com a saída de Nicolás Maduro do Poder no início deste ano, muitos venezuelanos ainda não vêm em condições reais para retornar
Mesmo após mudanças políticas na Venezuela, a maioria dos migrantes não pretende voltar tão cedo. Um levantamento do Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados aponta que segurança, economia e estabilidade ainda pesam nessa decisão.
Reportagem de Adilson Sabará
Imagen da Reuters
No mercado popular em Santiago do Chile, a venezuelana Gênesis prepara refeições e segue a rotina que construiu longe do seu país. Ela diz que como mãe pensa primeiro na estabilidade dos filhos e que muitas pessoas construíram suas famílias fora do país e ir embora seria como abandonar toda a conquista.
Mesmo com a saída de Nicolás Maduro do Poder no início deste ano, muitos venezuelanos ainda não vêm em condições reais para retornar. Segundo esta pesquisadora da ONU, para 65% dos entrevistados retornar à Venezuela não é uma opção neste momento. Os dados também revelam que apenas 1/3 dos entrevistados só pensa em voltar a médio ou longo prazo caso haja mudanças significativas no país.
Além da segurança, fatores como emprego, acesso à saúde e educação e reunificação familiar são decisivos para que esses migrantes considerem um possível retorno, mas na prática a realidade ainda está distante dessa possibilidade.
No México, o empresário José Luiz afirma que as mudanças na Venezuela não atingiram o essencial. “A crise continua”, afirmou ele ao comentar que as estruturas permanecem as mesmas. “Não houve nenhuma mudança real”, disse o cidadão.
De acordo com a agência da ONU para Refugiados, quase 7 milhões de venezuelanos vivem hoje fora do país. Sem segurança e estabilidade, a maioria segue reconstruindo a vida longe de casa, na esperança de um futuro mais digno.




