Igreja e Teologia

Papa Francisco e Bento XVI agradecem Comissão Teológica Internacional

Francisco recebeu os membros do organismo em audiência nesta sexta-feira, 29, no Vaticano; o Papa emérito divulgou uma saudação

Da redação, com Vatican News

Papa Francisco e Papa emérito Bento XVI / Foto: CNA – Arquivo Canção Nova

O primeiro compromisso do Papa Francisco nesta sexta-feira, 29, foi a audiência aos membros da Comissão Teológica Internacional. Este ano, a Comissão criada pelo Papa São Paulo VI está completando 50 anos, fruto do Concílio Vaticano II. Desde então, foram publicados 29 documentos. Francisco ressaltou os últimos dois, que têm como tema a sinodalidade e a liberdade religiosa.

Sobre o que diz respeito a sinodalidade, o Pontífice afirmou: “Me está muito a peito (…). Trata-se de um estilo, é um caminhar juntos, e é aquilo que o Senhor espera da Igreja no terceiro milênio”. O outro documento destaca, de acordo com o Santo Padre, que a liberdade religiosa, se respeitada, oferece uma grande contribuição ao bem de todos e à paz.

O Papa falou sobre a missão dos teólogos, e recordou que são “mediadores entre a fé e as culturas” e participam, assim, da missão essencial da Igreja, isto é, a evangelização. Os teólogos têm em relação ao Evangelho uma missão geradora, apontou o Papa. “São chamados a trazer à luz o Evangelho, (…) aspectos sempre novos do inesgotável mistério de Cristo”.

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Para o Pontífice, cabe aos teólogos também traduzir a fé para o homem de hoje, de modo que cada um possa senti-la mais próxima e sentir-se abraçado pela Igreja. “A isto é chamada a Teologia: não é um tratado catedrático sobre a vida, mas a encarnação da fé na vida”. Depois de 50 anos de intenso trabalho, prosseguiu o Santo Padre, ainda há muito por fazer, porque somente uma teologia bela, que tenha o respiro do Evangelho e não se satisfaça em ser somente funcional, tem capacidade de atração.

Para isso, duas dimensões são fundamentais, de acordo com o Papa: a vida espiritual, na oração humilde e constante, e a vida eclesial. “A Teologia nasce e cresce de joelhos!”, comentou Francisco sobre a primeira dimensão fundamental. Ao mencionar a segunda dimensão fundamental, o Pontífice afirmou que não se faz [teologia] com isolamento, mas em comunidade, a serviço de todos, para difundir o sabor do Evangelho aos irmãos e às irmãs do próprio tempo, sempre com doçura e respeito.

Bento XVI: ocasião de humildade

O Papa emérito Bento XVI expressou sua gratidão a este organismo em uma saudação datada do dia 22 de outubro. No texto, Bento XVI recordou com detalhes minuciosos os primórdios da Comissão: o motivo pelo qual foi criada, seus membros e a definição da metodologia a ser adotada para interpretar o Vaticano II.

Ao lado das grandes figuras do Concílio – Henri de Lubac, Yves Congar, Karl Rahner, Jorge Medina Estévez, Philippe Delhaye, Gerard Philips, Carlo Colombo de Milão – integravam a Comissão teólogos que curiosamente não encontraram espaço no Concílio, como Hans Urs von Balthasar.

Entre os temas tratados, Bento XVI citou sobretudo as questões relativas à relação entre o Magistério da Igreja e o ensino da Teologia e o problema da Teologia moral. Porém, uma das maiores contribuições da Comissão, segundo o Papa emérito, é ter dado voz às jovens Igrejas: “Até que ponto essas são vinculadas à tradição ocidental e até que ponto as outras culturas podem determinar uma nova cultura teológica? Foram sobretudo os teólogos da África e da Índia que levantaram a questão”.

Bento XVI escreveu: “[Este organismo não pôde alcançar uma unidade moral da Teologia e dos teólogos no mundo, mas no que] me diz respeito pessoalmente, o trabalho na Comissão Teológica Internacional me doou a alegria do encontro com outras línguas e formas de pensamento. Sobretudo, porém, foi para mim contínua ocasião de humildade, que vê os limites daquilo que nos é próprio e abre assim o caminho para a Verdade maior”.

 

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