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Entrevista

Em nova entrevista, Papa Francisco recorda Bento XVI: "perdi um pai"

Em entrevista à Associated Press (AP), o Pontífice comentou sobre a morte de Bento XVI e sobre outros assuntos ligados à Igreja e à sociedade

Da redação, com Vatican News

Foto: REUTERS/Remo Casilli

Uma nova entrevista do Papa Francisco foi divulgada nesta quarta-feira, 25, pela agência de notícias estadunidense Associated Press (AP). Foi o primeiro colóquio do Pontífice depois da morte, em 31 de dezembro de 2022, do seu predecessor Joseph Ratzinger, de quem Francisco recorda a figura na conversa realizada na terça-feira, 24, com a correspondente Nicole Winfield, na Casa Santa Marta.

Diante de uma dúvida, ia até Bento XVI

O Papa chamou Bento XVI de “um cavalheiro” e assegurou que com sua morte “perdeu um pai”. “Para mim, ele era um segurança. Quando diante de uma dúvida, eu pedia o carro, ia ao mosteiro e perguntava”.

Francisco explicou que seu predecessor ainda estava ligado a uma concepção do papado: “Nisto, ele não era totalmente livre, pois talvez teria querido voltar à sua Alemanha e continuar estudando teologia de lá. Mas ele fez tudo o que pôde para estar o mais próximo possível. E isto foi um bom compromisso, uma boa solução”.

A crítica ajuda a crescer

Francisco fez também uma reflexão sobre seu pontificado, que completará dez anos no próximo dia 13 de março. No início, explicou, a notícia de um Papa sul-americano foi recebida com surpresa por muitos dentro e fora da Igreja, depois, disse que começaram a ver seus “defeitos e não gostaram deles”.

A respeito das críticas recebidas e todas coincidentes no último período, através de livros ou documentos circulados entre cardeais e assinados com pseudônimos, Francisco disse que para ele, como para todos, seria sempre melhor não ter críticas “para a paz de espírito”: “são como urticária, são um pouco irritantes, mas eu as prefiro, porque isso significa que há liberdade de palavra”. O importante é que sejam feitas “na nossa cara porque é assim que crescemos todos, certo?”.

O Papa comentou que com alguns de seus críticos chegou a discutir pessoalmente: “alguns deles vieram aqui e sim, eu discuti com eles. Normalmente, como se fala entre pessoas maduras. Eu não briguei com ninguém, mas expressei minha opinião e eles expressaram a sua. Caso contrário, se cria uma ditadura da distância, como eu a chamo, onde o imperador está lá e ninguém pode dizer nada a ele. Não, que o digam porque a companhia, a crítica, ajuda a crescer e a fazer as coisas correrem bem”.

Distinguir entre pecado e crime

Na entrevista, Francisco é então questionado sobre o tema da homossexualidade. Ele afirmou que “não é um crime”, mas uma “condição humana”.

 Sobre os direitos da comunidade LGBTQ, ele destacou: “Somos todos filhos de Deus e Deus nos quer como somos e com a força que cada um de nós luta pela própria dignidade. Ser homossexual não é um crime”.

O Santo Padre sublinhou que o homossexualismo “é um pecado” e pediu que seja feita a “distinção entre pecado e crime”. “É pecado também faltar com a caridade uns para com os outros”.

Francisco fez também uma crítica às leis que ele chama de “injustas” que criminalizam a homossexualidade: “Creio que há mais de 50 países que têm uma condenação legal e destes eu creio que uma dezena, um pouco mais um pouco menos, têm a pena de morte. Não o mencionam diretamente, mas dizem “aqueles que têm atitudes inaturais”.

O Pontífice fez também um convite a uma abordagem diferente aos que discriminam as pessoas gays e as comunidades LGBTQ. Ele recordou o Catecismo da Igreja Católica, que afirma “que as pessoas com tendências homossexuais devem ser acolhidas, não marginalizadas, acompanhadas se lhes for dado um lugar”. 

Ninguém deve ser discriminado, afirmou o Bispo de Roma. E isto não diz respeito apenas à homossexualidade: “mesmo o pior assassino, o maior pecador não deveria ser discriminado”. Todo homem e mulher deve ter uma janela em sua vida onde poder dirigir a sua esperança e onde poder ver a dignidade de Deus”.

Surpreso e ferido com o caso Rupnik

Outra questão que foi pauta da entrevista é a sobre os abusos do clero. A referência é imediatamente ao caso do jesuíta Marko Rupnik, um conhecido mosaicista, que está agora no centro das acusações de abuso sexual, psicológico e de consciência feitas contra ele por religiosas e que teriam ocorridos há cerca de 30 anos na Eslovênia e depois na Itália.

Perguntado sobre isso, Francisco disse: “para mim foi uma surpresa, realmente. Isso, uma pessoa, um artista deste nível, para mim foi uma grande surpresa e uma ferida”. Todo o caso foi tratado pela Companhia de Jesus, enquanto a instrução do processo foi confiada ao oficial de assuntos legais dos dominicanos.

Francisco contou que não teve nenhum papel na gestão do caso, mas apenas interveio procedimentalmente “em um pequeno processo que chegou à Congregação da Fé, no passado”. O Papa disse que ele deu indicações para que os dois conjuntos de acusações fossem tratados pelo mesmo tribunal que havia selecionado as primeiras: “que continue com o tribunal normal… Caso contrário os caminhos processuais se dividem e tudo fica confuso”.

Quanto ao fato de o Vaticano não ter renunciado neste caso à prescrição, o Pontífice concordou que é correto “sempre” renunciar aos termos de prescrição nos casos que envolvem menores e “adultos vulneráveis”, para manter, ao invés, as tradicionais garantias legais com os casos que envolvem os outros adultos, como foi o caso de Rupnik.

O diálogo chinês e o caminho sinodal alemão

O Papa ampliou sua visão sobre o trabalho da Comissão para a Tutela de Menores e não deixou de mencionar o trabalho diplomático realizado pela Santa Sé. A este respeito, ele abordou a questão das relações com a China e reiterou: “devemos caminhar com paciência”.

Quanto a possíveis aberturas, “estamos tomando medidas”: as autoridades chinesas “às vezes são um pouco fechadas, às vezes não”. “O essencial é que o diálogo não seja interrompido”, frisou.

Sobre o cardeal Zen, que recebeu no Vaticano em 6 de janeiro passado, diz que é “fascinante”. Ele realiza seu trabalho pastoral na prisão “e ele está na prisão o dia todo”. Ele é amigo dos guardas comunistas e dos prisioneiros. Todos o acolhem muito bem. Ele é um homem de grande simpatia”. “Ele é corajoso”, afirmou ainda, mas também é “uma alma terna” e chorou como uma criança diante da estátua de Nossa Senhora de Sheshan que ele viu em seu apartamento na Casa Santa Marta.

No caminho sinodal alemão, Francisco advertiu que corre o risco de se tornar prejudicialmente “ideológico”. O diálogo é bom, mas “a experiência alemã não ajuda”, destacou o Papa, ressaltando que o processo na Alemanha até hoje tem sido conduzido pela “elite” e não envolve “todo o povo de Deus”.

“O perigo é que entre algo muito, muito ideológico. Quando a ideologia se envolve nos processos eclesiais, o Espírito Santo vai para casa, porque a ideologia vence o Espírito Santo”.

Saúde e “a graça do humor”

Não faltou na entrevista uma menção à sua saúde. Saúde que o Santo Padre definiu como “boa”, considerando que ele tem 86 anos de idade e apesar do fato de que a diverticulite para a qual ele foi submetido à cirurgia do cólon em julho passado “voltou”: “Mas está sob controle”.

O Pontífice também revelou o detalhe de uma pequena fratura em seu joelho devido a uma queda, curada sem cirurgia: “O joelho, graças a uma boa terapia e à magnetoterapia, com laser…o osso se soldou… Já estou andando, me sirvo de um andador, mas estou andando”.

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