Moradores da capital paulista passaram a contar com um novo espaço para a realização de exames preventivos. A iniciativa contribui para o diagnóstico antecipado de doenças e para a promoção da saúde.
Reportagem de Aline Imercio e Antônio Matos
Agilizar diagnósticos e torná-los mais personalizados. Esse é o objetivo principal do Centro Avançado de Diagnóstico Molecular, lançado no final do mês passado pela UNIFESP, com um custo estimado de R$ 10 milhões de reais, investimento majoritário da FAPESP.
“Surge de duas perspectivas, uma da pesquisa avançada que vai levar a um diagnóstico mais avançado e da necessidade de implementação de testes genéticos que poderiam então auxiliar um melhor tratamento aos pacientes com doenças, principalmente o câncer”, apontou a coordenadora do laboratório e professora de genética, Janete Maria Cerutti.
Um dos destaques do centro é a biópsia líquida, exame de sangue não invasivo, rápido e capaz de identificar precocemente alterações que surgiram o câncer.
“É porque ele é uma metodologia ultra sensível que consegue detectar no sangue do indivíduo frações muito pequenas de material genético que tá circulando no sangue”, retomou a especialista.
Mas, pelo alto custo e por estar em fase de pesquisa, esse teste ainda não é disponibilizado no SUS. Inicialmente os testes serão realizados para o setor oncológico do Hospital São Paulo, que é o Hospital Universitário da UNIFESP.
Nesta primeira fase de implementação, os exames serão realizados em pacientes com alguns tipos de câncer. “Para aqueles pacientes que têm os tumores mais prevalentes, que são mama, próstata, pulmão, onde já são conhecidas as alterações genéticas e essas alterações já têm drogas, alvos disponíveis para tratamento no SUS. Eles são feitos por PCR em tempo real, que é uma outra metodologia investigada”, ressaltou a coordenadora.
“A gente tem essa perspectiva de iniciar os trabalhos com pacientes que são atendidos pelo Hospital São Paulo e depois expandir essa demanda, atender outros hospitais de referência de câncer”, afirmou o pesquisador do laboratório, Adolfo Erustes.
O laboratório também é um avanço para a ciência. Esse equipamento exclusivo para pesquisas pode, por exemplo, analisar até 5 mil genes. E para a saúde pública, os exames aprovados trazem vantagens. “O impacto para a saúde pública é a facilidade, não necessitar internar esse paciente para fazer esses testes, possibilidade de você detectar essa doença, antes mesmo dela ser clinicamente identificada e ter uma maior taxa de cura”, completou Janete.