Superação, resiliência, bem-estar emocional são algumas das vantagens para quem pratica esportes com regularidade
Thiago Coutinho
Da redação
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De acordo com a psicanalista Valéria Amodio, a prática contínua de esportes auxilia em diversos aspectos físicos e emocionais / Foto: Free Photos por Pixabay
As Olimpíadas de Tóquio chegaram ao fim neste domingo, 8. Os Jogos Olímpicos foram realizados com a pandemia em curso e os atletas brasileiros marcaram presença com resultados acima da média.
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Foram mais de duas semanas de competição em várias modalidades esportivas. Alguns momentos chamaram a atenção, como a vitória dourada do surfista brasileiro Ítalo Ferreira, mesmo após problemas com a prancha (que quebrou, e ele precisou usar uma reserva). A ginasta Simone Biles trouxe à tona a discussão sobre saúde mental e a pressão sofrida por atletas de alto rendimento. No salto em altura, teve medalha de ouro compartilhada, com dois campeões em um exemplo de amizade e fraternidade ao mundo.
Um dos aprendizados importantes para quem pratica esportes — e para quem está de fora também – é o sentimento de superação. “Os aspectos positivos do esporte estão bem relacionados à superação. Superação dos desafios, dos obstáculos e das dificuldades. Quem é esportista de competição sabe que, às vezes, perde e, às vezes, ganha, mais se perde do que se ganha. O esporte ensina a ter resiliência”, explica a psicanalista Valéria Amodio.
Valéria explica que o esporte educa o indivíduo a ter paciência e disciplina para alcançar seus objetivos — algo que falta, em sua opinião, especialmente aos jovens.
“O esporte traz essa dimensão de que as coisas não vêm facilmente. Para conquistar é necessário esforço, vai ter alegrias e tristeza, vai ter dificuldades, obstáculos, mas a ideia é transpor tudo isso. E que o aprendizado vem nesse processo”, pondera.
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Os benefícios emocionais do esporte
Além dos benefícios físicos, afinal de contas, o sedentarismo é um dos principais males da sociedade contemporânea, a prática de esportes traz benefícios sem iguais para o cérebro e o lado emocional das pessoas.
“O esporte ajuda a liberar o cérebro, a mente, ajuda a respirar. Explicando de uma forma figurada, traz o oxigênio de verdade e faz com que a gente consiga olhar além de uma visão muito direta. Isso ajuda muito na criatividade, para pensar, relaxar, para equilibrar”, avalia Valéria.
A periodicidade, porém, é imprescindível para que os resultados físicos e emocionais sejam sentidos. “Praticando de forma periódica, é possível eliminar, naquele dia, aquela angústia, a raiva, aquele sentimento mal resolvido. Vimos que grandes pensadores diziam que para ter ideias e pensamentos, eles caminhavam”, reforça a especialista.
Cuidado com os excessos
Corpo e mente têm limites. Em se tratando de esportes, isso fica muito evidente. Nas Olimpíadas, viu-se ainda o exemplo da ginasta Simone Biles, que decidiu não competir as finais individuais de sua categoria por questões de saúde mental. Um exemplo de quando a pressão por resultados pode ser prejudicial.
“O equilíbrio é primordial. Todos os esportes competitivos precisam deste apoio [psicológico], mesmo que não seja da equipe, para que a pessoa possa se fortalecer e saber seus limites”, adverte.