Debates sobre o Judiciário ganham espaço nas discussões políticas do país
Em meio à corrida presidencial, o Supremo Tribunal Federal toma decisões vistas como acenos à campanha de Flávio Bolsonaro. Do lado governista, Lula cogita a possibilidade de alterar a forma de indicação de ministros do STF.
Reportagem de Francisco Coelho e Ersomar Ribeiro
A crise interna enfrentada pelo Supremo Tribunal Federal provoca impactos na disputa eleitoral. Tanto Lula quanto Flávio Bolsonaro debatem alterações na Suprema Corte.
Nesta segunda, o coordenador de campanha de Flávio, senador Rogério Marinho, se reuniu com o presidente do STF, Edson Fachin. Marinho afirmou que não haverá omissão. “Nós não temos espírito dividido, pelo contrário, nós queremos reconstruir o país, queremos normalizar a relação entre os poderes. Mas ao mesmo tempo deixamos claro que na hora em que houver algum crime de responsabilidade por um ministro do Supremo Tribunal Federal, o Senado não vai se omitir. E hoje ele tem se omitido”, frisou o senador, Rogério Marinho do Partido PL(RN).
O coordenador de campanha e presidente do PT disse que Lula avalia alterar a forma de escolha do ministro do Supremo Tribunal Federal. O presidente teria ouvido juristas antes de decidir. Um dia depois do primeiro turno, Lula defendeu uma reforma do Sistema Judiciário.
“Quem tem condições de falar em reforma do Poder Judiciário é o presidente Lula. Ele está querendo ouvir e ouvir outros juristas, evidente. Mas é uma ideia que ele tem que ouvir mais gente para formar opinião. Ele mesmo diz: ‘Por que que é o presidente da República que tem que indicar ministro supremo?’”, citou o presidente do PT, Edinho Silva.
Nas últimas horas, o Supremo Tribunal Federal tomou decisões consideradas como acenos à nova composição do Senado e ao resultado do primeiro turno da corrida presidencial.
Alexandre de Moraes determinou a progressão para o regime semiaberto de Débora Rodrigues, condenada pelos atos de 8 de janeiro. Enviou à PGR o pedido para Flávio visitar o pai Jair Bolsonaro e arquivou as investigações contra o senador Marcos Do Val e os blogueiros Alan dos Santos e Osvaldo Quiel.
Já o ministro Gilmar Mendes arquivou a investigação de estupro contra o vice de Flávio, Alfredo Gaspar. “O STF parece entrar numa fase de distensão em relação ao campo político que saiu vitorioso nas urnas, é uma forma de manter pontes de diálogo e preservar o grau de institucionalidade com o próximo Congresso Nacional e com os futuros ocupantes do Palácio do Planalto”, completou o cientista político, Murilo Medeiros.




