EM BRASÍLIA

Ministro Fachin reage a sigilo parcial em investigação sobre Banco Master

STF libera documentos, mas mantém dados da investigação sob sigilo

O presidente do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin, deu 24 horas para que André Mendonça retire totalmente o sigilo das investigações sobre o Banco Master. A divulgação de apenas parte dos procedimentos provocou reação na Corte e na Procuradoria-Geral da República. Os documentos já conhecidos revelam contatos frequentes entre Daniel Vorcaro e autoridades.

Reportagem de Francisco Coelho e Ersomar Ribeiro

 

Os dados foram disponibilizados pelo Supremo Tribunal Federal após um pedido feito pelo presidente, Luiz Edson Fachin. André Mendonça vinha sendo pressionado a levantar o sigilo dos processos após a divulgação de trocas de mensagens entre o ministro Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro.

Milhares de documentos dos processos foram disponibilizados pelo ministro André Mendonça por volta da meia-noite. Dados que podem atrapalhar investigações em andamento vão permanecer sob sigilo. Os documentos revelam as relações de Daniel Vorcaro com diversas autoridades.

Detalhes do contrato do escritório de Viviane Barci, esposa do ministro Alexandre de Morais, com o Banco Master, indicam a previsão de pagamentos no valor de R$131 milhões de reais. O acordo previa consultoria jurídica e implantação de um programa de compliance e o que chamou atenção: consultoria estratégica e inquéritos da Polícia Federal, além de procedimentos na Receita Federal e no Conselho Administrativo de Defesa Econômica, o CAD.

Daniel Vorcaro realizava pagamentos no valor de R$760.000 a Belline Santana, ex-chefe de supervisão do Banco Central. O Master também bancava diárias de viagens a servidores do Banco Central.

Em uma troca de mensagens, Belline revisa contratos de Vorcaro. A suspeita é de prestação de consultoria informal de integrantes do BC para atender aos interesses do ex-banqueiro. Os pagamentos eram feitos para contas de terceiros via Fabiano Zettel, o cunhado de Daniel Vorcaro.

Nos relatórios produzidos pela Polícia Federal, os investigadores afirmam que Daniel Vorcaro soube da operação contra ele dias antes de ser preso. Nas notas no aplicativo de celular, o banqueiro mostra preocupação com a possibilidade da operação e as articulações para evitar a prisão. Daniel Vorcaro foi preso antes de embarcar para a Europa em novembro do ano passado.

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