Ministros divergem sobre acesso a dados e definem os próximos passos da sessão
Na véspera da sessão sobre as relações de Alexandre de Moraes com Daniel Vorcaro, os ministros do Supremo Tribunal Federal travam uma batalha de ofícios para ter acesso ao conteúdo das investigações. O rito da sessão e até mesmo a sua realização ainda estão indefinidos.
Reportagem de Francisco Coelho e Ersomar Ribeiro
Os ministros Gilmar Mendes e Cristiano Zanin receberam acesso integral ao conteúdo do celular de Daniel Vorcaro. Os dados foram solicitados no fim de semana. Em ofício enviado à presidência do Supremo Tribunal Federal, André Mendonça afirmou que a entrega do material somente contribuiria para tumultuar o julgamento. Zanin não seguiu a recomendação e determinou que a Polícia Federal entregasse o material por considerar o acesso fundamental para a sessão de amanhã.
A sequência de decisões tomadas pelos ministros do Supremo Tribunal Federal no fim de semana aumenta em definição sobre a sessão de amanhã. Há dúvidas sobre os ritos, a participação dos ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça na votação, um possível pedido de vista e até sobre a realização da sessão.
Este advogado criminalista avalia que a sessão não tem precedentes na história do Supremo e que, por isso, os ritos também podem ser inéditos. “A Sessão Plenária do dia de amanhã no Supremo Tribunal Federal não tem precedentes na história do tribunal. Então, nunca antes houve um julgamento para decidir a abertura de um inquérito policial, de uma investigação preliminar contra o ministro integrante do próprio tribunal. Então, na sessão de amanhã, o Supremo tem liberdade para decidir múltiplas questões”, disse o advogado criminalista, Bruno Gimenes Di Lascio.
O arcebispo de Brasília, Cardeal Paulo César Costa, também refletiu sobre o momento vivido pela sociedade brasileira. “Nós estamos acompanhando os momentos em que estamos vivendo, onde falta o quê? Paz. Onde falta paz, onde o conflito está dominando. Onde o conflito está dominando no Supremo Tribunal Federal, onde vivemos um país polarizado, onde o conflito, mas o caminho não é o conflito, o caminho é a paz”, concluiu o arcebispo de Brasília, Cardeal Paulo Cezar Costa.




