É o que você acompanha na reportagem de Vanessa Anicio e Daniel Camargo
Quando Ana recebeu o diagnóstico de autismo, com pouco mais de um ano, a vida de Estefânia mudou completamente. Com a nova rotina de cuidados, veio também o desafio emocional. “Porque é muito difícil, é uma situação muito difícil, é muito estresse, muito cansativo, são muitas horas, muita dedicação, você muda sua vida por causa da criança, você se coloca em segundo plano e quem que vai olhar para você, quem que vai cuidar de você?”, contou a pedagoga, Estefânia Cardoso.
Foi na sala de espera da clínica, onde a filha faz acompanhamento que Estefânia conheceu a Letícia, também mãe atípica. Da convivência, surgiu a amizade. “Porque aqui a gente ri, a gente chora aqui, E as mães falam: ‘Olha, nossa, o meu também foi assim, isso também aconteceu’. E eu vi que outras mães conseguiram. É uma força para eu entender que eu também posso conseguir alcançar, um nível de maior felicidade, de mais tranquilidade, mesmo com um diagnóstico sendo tão pesado”, compartilhou a estudante de psicologia, Letícia Silva.
“Essa troca é vital porque ajuda a combater a solidão dessas mães. Nessa troca elas escutam: ‘Eu também passo por isso’. E ali há o pertencimento”, afirmou a psicóloga, Eliane Alves.
O que poderia ser apenas o intervalo, vira encontro e acolhimento. Entre uma sessão e outra nascem conversas que aliviam, acolhem e fortalecem. “Se não fosse a clínica com as mães aqui, acho que nós estaríamos pior psicologicamente, porque é o momento de nós sermos nós sem julgar”, apontou ela.
Histórias diferentes, mas atravessadas por um mesmo amor, o de fazer sempre o melhor pelos filhos. E essa rede de apoio, que surge de forma espontânea, também faz parte do cuidado.
“Quem cuida da gente, mães, são as outras mães nesse momento. São as outras mães mesmo, que sabem, que passam, então não tem julgamento, escuta. E é isso, a gente fica aqui se apoiando, fazendo o papel de apoio mesmo para poder seguir em frente”, concluiu a mãe.