Evento climático pode afetar o agronegócio brasileiro
O planeta pode enfrentar mais um período de alterações climáticas provocadas pelo El Niño. Pesquisadores dos Estados Unidos indicam que as características podem se formar nos próximos meses e influenciar o clima em várias partes do mundo.
Reportagem de Fernanda Lima
Imagens de Genilson Pacetti e Rodolfo Rodrigues
Enquanto o planeta aquece, os sinais aparecem em todos os lugares. Em janeiro deste ano, uma onda de calor atingiu a Austrália e as temperaturas chegaram perto dos 50º. Na América do Sul, incêndios devastaram regiões da Argentina e do Chile. E no Ártico, o gelo marinho voltou a atingir um dos menores níveis da história. É como uma corrida que com o tempo acelera cada vez mais. É por isso que a ciência também corre para tentar entender os fenômenos climáticos.
Aqui no Brasil, instituições científicas acompanham de perto os impactos dessas mudanças. O CEMADEN monitora áreas de risco e emite alertas para deslizamentos, enchentes e eventos climáticos extremos.
“E cada uma dessas barras representam o que nós chamamos de anomalia, ou seja, uma diferença na meia. E isto vai desde, mais ou menos 1950 até 2025. E aí vocês vem que o tamanho das barras está aumentando. Aumentou muito mesmo. E você pode dizer que nos últimos 20 anos é que aumentou mais. E nos últimos 20 anos é que nós temos tido mais extremos”, explicou o coordenador geral de pesquisa e desenvolvimento Cemaden, José Marengo.
Ele avança rápido, muda o clima e quando a gente percebe os efeitos estão em toda parte. Eu estou falando do fenômeno El Niño, que é o responsável por trazer mais ondas de calor e outros riscos para o nosso país. “Isso é o que nós chamamos anomalias, onde você vê vermelho é aquecimento. E aqui este típico característico dele aquecimento”, retomou ele.
Aqui nesta sala, uma equipe de profissionais da empresa Climatempo não mede esforços para também analisar e produzir informações diárias sobre os impactos do clima em todo o Brasil.
Segundo a meteorologista Ana Clara, a chegada do El Niño está próxima. “O El Niño em si, ele é um fenômeno que acontece no Pacífico. Então, a gente tem modelos de clima que fazem cálculos físicos e matemáticos e conseguem entender como é que é o padrão atual do oceano e da atmosfera, indo para o futuro. Então, a gente já consegue ver hoje uma massa muito grande de água na região ali entre 300 e 600 m dentro do oceano no Pacífico, que vai dar origem aí ao El Niño. Muito provavelmente a partir do próximo trimestre ele já deve ter início”, ressaltou a meteorologista da Climatempo, Ana Clara de Almeida Marques.
O especialista recorda o olhar atento da Igreja Católica sobre as mudanças climáticas. “Como o Papa Francisco falou, na Laudato Si, ‘Deus nos deu isto para proteger e cuidar para futuras gerações, não para destruir. E o Papa Leão XIV, mais ou menos, segue na mesma linha”, completou o especialista.




