O número de pessoas em situação de rua tem crescido no Brasil. Por trás das estatísticas, há histórias marcadas por perdas e também por recomeços. Nossa equipe acompanhou o trabalho da Pastoral de Rua no acolhimento e no apoio a quem busca reconstruir a própria vida
Reportagem de Vanessa Anício e Daniel Camargo
A falta de emprego e o envolvimento com drogas foram alguns dos motivos que levaram o Éton a viver por 8 anos nas ruas. “Minha situação porque me envolvi muito com droga, entendeu? Foi as drogas e bebidas que me jogou pra rua”, contou o padeiro Weverton Pereira.
A trajetória de Everton se aproxima da realidade vivida por milhares de brasileiros. Segundo o levantamento do Observatório Brasileiro de Políticas Públicas com pessoas em situação de rua da Universidade Federal de Minas Gerais, o país registrou em maio deste ano 388.855 pessoas vivendo nesta condição.
Belo Horizonte aparece como a terceira capital com maior número de pessoas em situação de rua, atrás apenas de São Paulo e do Rio de Janeiro.
De acordo com os dados apresentados no estudo, são mais de 16 mil pessoas vivendo nas ruas da capital mineira, o que representa um aumento de 4,1% em relação a 2025. Se compararmos com os dados de 5 anos atrás, esse aumento é ainda maior, cerca de 76%.
“Quadro de pessoas em situação de rua, ela é um agravamento, ela é um agravamento de pessoas que já estão, com alta vulnerabilidade social. E aí você tem um quadro de extrema vulnerabilidade social, quando elas chegam a não terem nem condições de um teto, mesmo que seja um teto peculiar ou um teto informal, um teto que não seja adequado, mas aí elas chegam à rua porque elas não conseguem mais ter nenhum teto, para sobreviverem, seja por causa da da falta de emprego, seja porque é uma construção familiar”, afirmou pesquisador do Programa Polos da Cidadania UFMG, Cristiano Silva.
Em meio a uma realidade marcada muitas vezes pela invisibilidade social, iniciativas de acolhimento têm buscado reconstruir trajetórias. “Aqui na Arquidiocese a gente atua já há quase 40 anos ofertando espaço de acolhida, realizando atividades coletivas, oficinas e desenvolvendo projetos de geração de renda, de moradia”, recordou a coordenadora da Pastoral de Rua da Arquidiocese de BH, Claudenice Rodrigues.
Ações que oferecem escuta, cuidado e oportunidades para devolver dignidade e renovar perspectivas de futuro. “Nossa missão inclusive é essa, é reconhecer em cada pessoa, cada homem, cada mulher que vive nessa situação ser humano e a partir daí as pessoas se fortalecerem nessa caminhada, na busca por outra condição de vida”, retomou Claudenice.
Foi nesse processo de fortalecimento e acolhimento que o Éverton encontrou uma oportunidade de recomeçar. Hoje, morando em um albergue, ele tem se dedicado à panificação em uma das oficinas oferecidas pela pastoral de rua e já começa a construir os próximos passos da vida que deseja viver. “Cada dia estou subindo um degrau e creio que vou chegar até onde Deus permitir”, completou




