Defesa Civil de Gaza e familiares lamentam tantas perdas e pedem por paz
Em quase três anos, a guerra entre a organização terrorista islâmica, Hamás e Israel, já afetou milhares de pessoas. Só no último domingo, dezoito palestinos morreram em um ataque aéreo israelense em Gaza. Nessa terça-feira, 4, a Palestina parou para um funeral de mais de cem pessoas de uma única família.
Reportagem de Wallace Andrade
Imagens da Reuters e Dawoud Abu Alkas
Os sobreviventes das famílias Abu Sharia e Al- Hassayna viveram uma terça-feira de dor e ressentimento. Eles recuperaram dos escombros os restos mortais de 112 familiares mortos em quase 3 anos de ataques a Gaza. “Este dia está repleto de tristeza. Nossas feridas geradas após esse massacre foram reabertas. A dor para nossos filhos e mulheres está de volta. Nossa consolação é acreditarmos que eles serão mártires perante Deus”, expressou o parente das vítimas, Taysir Al- Hassayna.
Os restos mortais foram envolvidos em bandeiras da Palestina e reunidos para um único funeral, todos com as devidas fotografias dos falecidos. “Hoje estamos realizando um cortejo fúnebre em uma cena verdadeiramente inédita na história da causa palestina. Os corpos foram retirados pelas equipes da Defesa Civil em cenas extremamente difíceis e dolorosas”, contou o porta-voz da Defesa Civil de Gaza, Mahmoud Basal.
As equipes da Defesa Civil de Gaza trabalharam no resgate das vítimas por 17 dias seguidos. Para identificar cada uma delas, eles buscaram características presentes nos corpos, como cicatrizes e marcas. Acessórios como colares com o nome da vítima e roupas também ajudaram, assim como reconhecimento por parte da família.
Para a Defesa Civil de Gaza, ainda há muito o que fazer por aqui. “Estamos falando de mais de 8.000 corpos que ainda permanecem sob os escombros. É uma grande luta travada pelas equipes da Defesa Civil que trabalharam com recursos e ferramentas mínimas para recuperar esses corpos. Só quem sente a dor que uma guerra é capaz de causar, sabe o verdadeiro valor de viver em paz”, ressaltou Mahmoud.
“Parem com essa guerra. Parem com esses massacres. O povo de Gaza é um povo que ama a vida, que ama a paz e quer viver em paz com todos. Não estamos pedindo algo impossível”, pediu Taysir.



