Projeto social busca acolher e transformar a realidade de beneficiários
Em São Paulo, um torneio de futsal reúne pessoas em situação de rua assistidas pelos projetos sociais do Centro Social Nossa Senhora do Bom Parto. Uma oportunidade de incluir e reforçar o poder transformador do esporte.
Reportagem de Flavio Rogério e Gilberto Pereira
O mineiro Braulino veio para São Paulo trabalhar, mas acabou desempregado e hoje está em situação de rua. A prática esportiva o fez sorrir novamente. “Eu conheci o campeonato através do pessoal assistente social, onde eu almoço todo dia. Aí eu fiquei interessado e nós formamos um time e estamos aí no campeonato e eles acolhem a gente muito bem, trata a gente muito bem e eles estão sempre para dar o melhor pra gente”.
Essa é a quarta edição da Copa Futsal do Consultório na Rua e contou com 26 equipes, reunindo cerca de 260 atletas. “Nós profissionais de saúde precisamos o tempo todo buscar estratégias para fazer a adesão dessas pessoas no tratamento da saúde, no cuidado e na saída qualificada da rua. E o futebol é uma dessas estratégias que nós temos, porque para eles fazerem, participarem do torneio, eles precisam estar com os exames em dia. É onde também a equipe consegue diagnosticar precocemente muitas doenças”, explicou a gestora dos consultórios na rua do Centro Social Bompar, Marta Akiyama.
“É uma forma mesmo de retorno de dignidade, de mostrar que eles fazem parte da sociedade e que são pessoas que têm direitos como todos nós”, acrescentou Silvana Ferreira, da área técnica da pessoa em situação de rua da SMS.
O projeto idealizado pelo Centro Social Nossa Senhora do Bom Parto surgiu em 2013 e hoje está presente em todas as regiões da cidade com o apoio da Prefeitura Municipal.
Quem coordena o torneio é Marivaldo, que já esteve em situação de rua e há mais de 20 anos atua no Centro Social Bompar.
“Só saí da condição de rua porque houve um projeto para quem tá jogando às vezes ao início é só uma diversão, mas para os trabalhadores é sempre pensando numa estratégia de cuidado e reinserção. Cada equipe se organiza, verifica no território a possibilidade de utilização de um espaço público e sempre pensando no cuidado com a saúde”.
Além do atendimento em saúde, o projeto auxilia na regularização de documentos e cursos profissionalizantes para inserção no mercado de trabalho. Com a esperança renovada, Braulino reconhece que o esporte sempre o ajudou. “Futebol desde criança. E nesse campeonato de rua aí estou me sentindo profissional, cara, que é muito da hora”.
No final do torneio, todos acabaram vencedores, seja no esporte ou na vida.




