ANIVERSÁRIO

Santuário celebra 240 anos de fé e devoção ao Senhor Bom Jesus

Tradição histórica de fé marca romeiros que visitam o Santuário e apreciam beleza do lugar

Em Minas Gerais, o Jubileu do Senhor Bom Jesus do Bacalhau é uma das festas religiosas mais tradicionais e antigas do estado, reunindo milhares de romeiros e peregrinos. Nossa equipe visitou o local e mostra as características que preservam esta devoção centenária.

Reportagem de Léo Apolinário e Daniel Camargo

 

Há 240 anos, a devoção ao Bom Jesus faz parte da história do distrito de Santo Antônio do Pirapetinga. A tradição atravessa gerações e permanece viva na fé e nas lembranças de moradores como Maria Romana. “Tem muitos anos. Outro dia a gente vinha de carro de boi, depois a gente vinha de animal. E agora a gente não aguenta andar. A gente aluga um táxi e vem, graças a Deus”, contou a romera, Maria Romana.

O Jubileu vai além de uma data comemorativa. É um tempo de renovar a fé, fortalecer a devoção e reafirmar a confiança no Senhor Bom Jesus. “Todas as pessoas que aqui vêm, elas sempre falam: ‘Eu vou ver o Bom Jesus’. Porque é algo afetivo, já faz parte da história, da devoção”, falou o reitor do Santuário Bom Jesus do Bacalhau, padre Vitor de Campos.

A tradição ao Bom Jesus começou na primeira metade do século XVIII, com o encontro desta imagem. Segundo a tradição popular, sempre que era levado para outra capela do distrito, o ícone reaparecia neste local. Então, decidiram construir a Igreja. Hoje, o Santuário do Bom Jesus do Bacalhau.
“É sempre muito engraçado. As pessoas sempre fazem relação com peixe, com alimento. Aqui havia um senhor português que tinha uma venda, ele se chamava José Gonçalves Bacalhau. E por ter uma venda, muitas pessoas vinham até ele, falava: ‘Eu vou no bacalhau’, ou seja, eu vou na venda. E assim ficou um pouco esse nome. Outra narrativa também é porque passa um afluente do rio Piranga e este afluente do rio Piranga se chama Rio Bacalhau. Originalmente o nome é Santo Antônio do Pirapitinga, mas as pessoas conhecem dessa forma”, recordou o reitor.

Neste ano de Jubileu, cerca de 40.000 fiéis devem passar pelo santuário para rezar e agradecer as bênçãos do Bom Jesus. “Milhares de pessoas vêm até esse santuário de diversas partes de Minas Gerais, em peregrinações, a pé, de bicicleta, de cavalo”, retomou ele.

“O dia que eu vou me despedir aqui, a gente até chora, porque é um tempo muito bom. Sinto muita tranquilidade”, concluiu a romeira, Maria do Carmo.

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