Anúncio ocorreu cerca de uma semana após o Papa pedir uma trégua humanitária na cidade; cessar-fogo deve permitir saída voluntária e segura de moradores
Da Redação, com Vatican News

Edifícios destruídos pela guerra em Oleshky, na região ucraniana de Kherson /Foto: Reuters
Ucrânia e Rússia confirmaram um acordo para uma trégua humanitária em Oleshky, cidade da região de Kherson onde a população civil enfrenta uma grave crise humanitária. O cessar-fogo local deverá permitir a entrada de alimentos e medicamentos, além da saída voluntária e segura de moradores.
O anúncio ocorre cerca de uma semana após o Papa Leão XIV pedir uma trégua humanitária na cidade. Durante sua internação no Hospital Gemelli, o Pontífice conversou por telefone com o presidente russo, Vladimir Putin, e destacou a situação dos civis em Oleshky e a urgência de garantir a chegada de ajuda humanitária.
Leão XIV também abordou o tema em uma conversa com o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, na segunda-feira, 19. Na ocasião, a situação humanitária da cidade e a necessidade de um cessar-fogo estiveram entre os assuntos tratados.
Trégua para assistência e retirada de civis
A Casa Branca anunciou o acordo e informou que a operação humanitária deverá ter início em 29 de outubro. O comissário para os Direitos Humanos do Parlamento ucraniano, Dmytro Lubinets, confirmou a iniciativa e agradeceu à primeira-dama dos Estados Unidos, Melania Trump, pelo papel desempenhado nas negociações.
Lubinets afirmou que se trata de uma operação humanitária complexa e que sua realização ocorrerá de forma gradual. Segundo ele, a Ucrânia tem trabalhado para retirar em segurança os cidadãos que permanecem em Oleshky.
O Kremlin também confirmou o acordo. De acordo com o porta-voz Dmitri Peskov, a trégua permitirá o envio de ajuda humanitária e a evacuação da população civil. As forças russas deverão suspender as ações militares na região a partir da manhã de terça-feira, 27, como parte dos preparativos para a operação.
Novas negociações previstas para novembro
Além da trégua em Oleshky, Zelensky confirmou que delegações da Ucrânia, da Rússia e dos Estados Unidos deverão se reunir na primeira quinzena de novembro, em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos.
O encontro trilateral, realizado no âmbito de grupos de trabalho, deverá representar uma nova tentativa de avançar no diálogo entre Moscou e Kiev, com a mediação de Washington, em busca do fim das hostilidades.
O anúncio foi feito após conversas de Zelensky com os enviados norte-americanos Steve Witkoff e Jared Kushner, que também se reuniram recentemente com Putin. O Kremlin já havia sinalizado disposição para retomar as negociações depois de 10 de novembro.
Zelensky cobra garantias de segurança
Apesar da perspectiva de retomada do diálogo, Kiev mantém suas condições para um eventual acordo de paz. Zelensky reiterou que qualquer entendimento deverá incluir garantias internacionais de segurança capazes de proteger a Ucrânia diante do risco de novas agressões.
O presidente ucraniano também defendeu a garantia de financiamento por pelo menos dez anos para a manutenção das Forças Armadas do país.
As garantias de segurança permanecem entre os principais pontos de divergência nas negociações, ao lado das questões territoriais e das condições para a implementação de um eventual cessar-fogo mais amplo.




