Mosteiro dos Jerônimos

Patriarca de Lisboa pede paz para a Ucrânia durante vigília de oração

Vigília foi realizada no Mosteiro dos Jerônimos, em Lisboa, por ocasião dos 35 anos da restauração da independência da Ucrânia

Da redação, com Agência Ecclesia

Patriarca de Lisboa, paramentado liturgicamente, fala ao microfone em ambiente interno do Mosteiro dos Jerônimos.

Patriarca de Lisboa, Dom Rui Valério, durante homilia da Missa da Vigília de Oração no Mosteiro dos Jerônimos /Foto: Patriarcado de Lisboa

O patriarca de Lisboa, Dom Rui Valério, afirmou neste domingo, 30, que celebrar os 35 anos da restauração da independência da Ucrânia significa recordar a história de um povo e refletir sobre o futuro que se deseja oferecer às próximas gerações, marcado pela paz e pela dignidade.

“Os 35 anos da restauração da independência da Ucrânia, vividos em um contexto tão doloroso, são também um apelo à responsabilidade e à esperança. Hoje pedimos que a Ucrânia possa viver em paz, segurança, liberdade e dignidade”, afirmou o bispo durante a homilia da Vigília de Oração, realizada no Mosteiro dos Jerônimos, em Lisboa.

Promovida pela Capelania da Igreja Greco-Católica Ucraniana em Portugal e pela Embaixada da Ucrânia em Portugal, a vigília foi realizada por ocasião do 35º aniversário da restauração da independência do país, com o objetivo de rezar pela paz na Ucrânia.

“O aniversário da independência de uma nação também possui uma dimensão moral. Celebrar a história de um povo não é apenas recordar o que aconteceu; é perguntar o que queremos construir com a liberdade recebida e que futuro queremos oferecer às próximas gerações”, afirmou o patriarca de Lisboa.

Dignidade humana

Dom Rui Valério destacou que rezar pela paz também significa colocar-se “a serviço da dignidade humana”. Segundo ele, a guerra não destrói apenas edifícios, escolas, hospitais e cidades, mas provoca uma “destruição mais profunda”, que “acontece sempre no ser humano”.

“A guerra fere corpos, separa famílias, cria órfãos e viúvas, obriga pessoas a abandonar suas casas, transforma projetos em incerteza e introduz o medo no cotidiano. E corre um risco terrível: fazer com que a pessoa deixe de ser vista como pessoa”, afirmou.

O patriarca de Lisboa ressaltou que “um morto nunca é apenas um número”, “um ferido nunca é apenas uma estatística” e “uma criança aterrorizada nunca é apenas uma consequência inevitável”. “Cada homem, cada mulher, cada criança possui um rosto, um nome, uma história. Cada pessoa possui uma dignidade que nenhuma circunstância política, nenhuma fronteira e nenhum conflito podem apagar”, sublinhou.

Segundo o bispo, cada voz da Igreja deve se elevar sempre que a dignidade humana é desrespeitada. Não para acrescentar mais uma voz ao conflito, prosseguiu, nem para aumentar divisões, mas para recordar aquilo que nenhuma guerra pode tornar relativo: a dignidade de cada ser humano é inviolável.

Solidariedade ao povo ucraniano

Dom Rui Valério também frisou que a presença na Vigília de Oração expressa uma solidariedade mais profunda do que qualquer diferença de língua, nacionalidade, cultura ou história.

“Quando um ser humano é ferido, algo da humanidade inteira é ferido; quando uma mãe chora um filho, essa dor pertence, de algum modo, a todos nós; e quando uma criança cresce entre sirenes e explosões, toda a humanidade tem razões para se interrogar (…). Esta noite não rezamos por pessoas abstratas ou distantes. Estamos unidos ao povo ucraniano: aos que permanecem em seu país; aos que tiveram de partir; às famílias que Portugal acolheu; aos que cuidam dos feridos; aos que perderam alguém; aos que continuam a esperar; aos que trabalham pela paz. E a todos aqueles que, em qualquer lugar, carregam no corpo ou na alma as consequências da guerra”, disse o patriarca.

Para o bispo, o compromisso com a construção da paz nasce da certeza de que “cada vida poupada é um bem incomensurável”. Ele acrescentou que cada criança que pode dormir sem medo, cada família que permanece reunida, cada pessoa que regressa à sua casa é uma vitória da humanidade.

A Vigília de Oração pela Paz na Ucrânia contou com a presença do embaixador da Ucrânia, de membros do Corpo Diplomático e da comunidade ucraniana presente em Lisboa.

Evite nomes e testemunhos muito explícitos, pois o seu comentário pode ser visto por pessoas conhecidas.

↑ topo
Skip to content