Angelus

Papa: não se pode amar a Deus de verdade sem amar o próximo

Ao refletir sobre os dois maiores mandamentos, Leão XIV frisou que o encontro com Deus torna o cristão capaz de olhar para o próximo com o olhar de Cristo

Da Redação, com Vatican News

Papa Leão XIV durante o Angelus deste domingo, 25/ Foto: REUTERS/Vincenzo Livieri

O amor é o ponto fundamental da relação com Deus e deve necessariamente se refletir na relação com o próximo. Foi o que destacou o Papa Leão XIV neste domingo, 25, durante a reflexão que precedeu a oração mariana do Angelus, na Praça São Pedro.

Ao comentar o Evangelho do dia (Mt 22,34-40), o Pontífice recordou a resposta de Jesus ao doutor da Lei que lhe perguntou qual era o maior mandamento: “Amarás o Senhor, teu Deus, com todo o teu coração, com toda a tua alma e com toda a tua mente”.

Leão XIV ressaltou que a relação com Deus vai além do simples reconhecimento de sua existência. “Não basta saber que Deus existe, que é único ou que é o Todo-Poderoso; o Senhor espera de nós uma relação pessoal”, afirmou.

Segundo o Papa, no encontro com Deus, o mandamento do amor deixa de ser entendido como uma obrigação ou imposição e passa a ser uma resposta ao amor recebido. “O nosso amor só pode ser autêntico quando é uma resposta ao seu amor, que sempre nos precede. Daí a necessidade de uma totalidade que envolva integralmente a pessoa: coração, alma e mente”, frisou.

Amor a Deus se estende ao próximo

Ao primeiro mandamento, Jesus acrescenta um segundo: “Amarás ao teu próximo como a ti mesmo” (Mt 22,39). Para Leão XIV, os dois ensinamentos estão profundamente ligados e brotam da mesma fonte: a relação íntima com Deus. É a partir dessa relação, explicou, que os cristãos se tornam capazes de olhar para si mesmos e para os outros “com o mesmo olhar de Cristo”. Dessa forma, o egoísmo dá lugar à abertura ao próximo e “até o amor a si mesmo se transforma em caridade”, porque a existência passa a estar voltada também para o outro.

O Pontífice recordou ainda Santa Teresa do Menino Jesus, que compreendeu e expressou que “só o amor impele os membros da Igreja à ação”. A partir de seu exemplo, Leão XIV destacou que o anúncio do Evangelho também deve nascer do amor de Deus. “Sem o amor, a nossa fé ficaria desprovida do seu conteúdo, as nossas boas obras iriam se reduzir a moralismo e a nossa esperança seria vã.”

Por fim, o Papa reforçou que o amor a Deus e o amor ao próximo não podem ser separados na vida cristã. “Caríssimos, não podemos amar a Deus de verdade sem que esse amor transborde em amor pelos nossos irmãos e irmãs. E não podemos amar verdadeiramente o nosso próximo senão como filhos do mesmo Pai, que em seu Filho Jesus nos amou primeiro.”

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