Viagem apostólica

Vaticano divulga dados estatísticos sobre a Igreja na França

Histórico de 44 anos entre 1980 a 2024 mostra redução da porcentagem de católicos e das vocações; Papa visitará o país na próxima semana

Jéssica Marçal
Da Redação, com informações da Santa Sé e Vatican News

Vista do Santuário de Nossa Senhora de Lourdes, do rio Gave de Pau, da Basílica da Imaculada Conceição e castelo ao fundo. Registro de 2025  / Foto: Jean-Marc Barrère / Hans Lucas via Reuters Connect

O Vaticano divulgou nesta sexta-feira, 18, alguns dados estatísticos sobre a Igreja Católica na França. O país receberá o Papa Leão XIV na próxima semana, de 25 a 28, em uma visita que tem como lema “Para que o mundo tenha vida”. A escolha, inspirada no Evangelho de João traz uma mensagem em defesa da dignidade da vida humana.

Os dados divulgados trazem um retrato da Igreja no país ao longo de 44 anos, de 1980 a 2024. Foram extraídos do Escritório Central de Estatística da Igreja segundo o Anuário Estatístico de vários anos. Neles, é possível ver alguns traços do desafio da secularização, que caracteriza sobretudo as sociedades ocidentais e a Europa como um todo.

Se no início da década de 80 a população que se declarava católica na França era de 84,72% ,  em 2024 esse número reduziu para 74,93%. Uma redução expressiva se verifica no número de batismos: 513.501 em 1980 contra 186.165 em 2024. A boa notícia é que número de católicos batizados aumentou de 45.503.000 (em uma população de 53.710.000) para 49.720.000 (em uma população e 66.352.000), considerando os mesmos anos.

Redução das vocações e estruturas

A secularização se reflete também na queda do número de vocações, tanto em matéria leiga quanto religiosa. O número de padres em 1980 era de 38.876 e passou para 12.590 em 2024. Diminuição também na vida consagrada: 92.377 religiosos em 1980  e 19.578 em 2024 (em ambos os casos, somando homens e mulheres). O número de bispos caiu de 197 para 186.

Entre os leigos, diminuiu o número de matrimônios: 217.479 contra 40.678. Um aumento, porém, foi registrado entre os diáconos permanentes: 108 em 1980 e 3.147 em 2024.

Em 44 anos, a Igreja na França também teve redução de algumas estruturas. Em 1980, havia 38.391 paróquias, ao passo que em 2024 esse número ficou em 10.925. Os institutos de assistência e beneficência mantidos pela Igreja passaram de 1944 para 1119.

Os dados completos – que mostram a evolução passando pelos anos de 1990, 2000, 2010 e 2020 – estão disponíveis no site da Santa Sé (confira aqui).

Uma Igreja em transformação

Em entrevista à mídia vaticana divulgada em julho passado, o arcebispo de Reims, Dom Éric de Moulins-Beaufort, afirmou que o Papa encontrará na França uma Igreja em plena transformação. Segundo ele, a centralidade da figura de Jesus Cristo tem atraído as gerações mais jovens de volta à Igreja e aumentado o número de catecúmenos.

Nesta mesma ocasião, o bispo enfatizou ainda que a eficácia da missão não se mede pela quantidade de convertidos ou de féis, mas é algo que pertence ao mistério da cruz. E se, por um lado, se identifica “uma vontade de autonomia em relação a Deus”, por outro, os franceses percebem que a fé cristã é uma escola de liberdade.

A visita do Papa

Na França, Leão XIV visitará a capital Paris, onde o ápice deve ser a visita à sede da Unesco (organização da ONU para a Ciência e a Cultura). Também passará por lugares emblemáticos para a capital, como a Place de la Concorde, onde será celebrada a Santa Missa.

Outros destinos serão Lourdes – local que guarda uma das devoções marianas mais populares das Igreja, no Santuário de Nossa Senhora de Lourdes – e Metz – uma terra marcada pelo histórico de guerra, onde o Papa levará uma mensagem de paz e reconciliação entre os povos. 

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