Durante a cerimônia de abertura, o Papa propôs um processo compartilhado de avaliação pastoral centrado no encontro com Cristo, na comunidade e no serviço à cidade
Da redação, com Vatican News

Papa preside assembleia diocesana que marca a abertura do novo ano pastoral da Diocese de Roma / Foto: Guglielmo Mangiapane – Reuters
O Papa Leão XIV presidiu a Assembleia da Diocese de Roma, nesta sexta-feira, 18, na Basílica de São João de Latrão.
O Papa iniciou o seu discurso, recordando o que aconteceu na manhã de Páscoa, num jardim e num túmulo vazio. Maria Madalena estava lá. “Um homem se aproxima dela, que ela confunde com o jardineiro, e lhe faz duas perguntas: ‘Por que você está chorando? Quem você está procurando?'”
Leão XIV disse que essas duas perguntas podem inspirar “o caminho imediato da Diocese de Roma”, pois podemos “ouvi-las hoje dirigidas à nossa Igreja e a toda a cidade”, sublinhou.
“Maria Madalena acorda antes do amanhecer e corre para o túmulo, porque nela há vida, há esperança! Assim, em Roma, há muitas pessoas que recomeçam a cada manhã, mas também comunidades paroquiais, associações, movimentos, grupos e entidades eclesiais que trabalham generosamente na evangelização, na caridade, no serviço à oração litúrgica. Claro que, ao lado dessa riqueza, vocês reconheceram honestamente algumas dificuldades. É o desânimo de quem não consegue encontrar o Senhor. Uma experiência que partilhamos com muitos irmãos e irmãs, mas que também vivenciamos. Às vezes, as propostas, as atividades e os encontros se multiplicam, e o centro, o sentido evangélico do que fazemos, se perde”, disse o Papa.
“No Evangelho, uma única palavra faz Maria Madalena se virar: seu nome, “Maria!”. É assim que encontramos Jesus Cristo: ouvindo-o nos chamar pelo nome. É aqui que toda ação pastoral deve começar: não tanto perguntando “o que” fazer, mas sim “quem” e “como” encontrar”, disse Leão XIV, acrescentando:
Em nossas comunidades, podemos permanecer anônimos, invisíveis e incompreendidos, ou podemos ser vistos, conhecidos e chamados pelo nome. E quem realmente encontra Cristo, como Maria Madalena, sente o coração cheio e, então, não consegue ficar parado; corre e vai anunciar. “Eu vi o Senhor!”, diz a mulher aos discípulos. Não uma lembrança, não um assunto privado, mas uma alegria profunda que gera comunidade.
O Papa disse que não estava ali para apresentar “um novo programa pastoral”. “Não estamos começando do zero, e nada do que vivenciamos deve ser arquivado. Nosso trabalho sobre as “doenças espirituais” nos ensinou a reconhecer o que, em nossa vida eclesial, precisa de cura, correção ou conversão. O Caminho Sinodal nos ensinou a escutar e discernir juntos, corresponsáveis pela única missão”, disse Leão XIV, convidando a desenvolver “uma terceira dimensão: a da verificação pastoral”.
Verificar, sob a luz do Espírito Santo, significa parar, reler o que aconteceu, reconhecer o que deu frutos, compreender o que não funcionou e buscar juntos as razões. Significa, em suma, estabelecer a verdade. Convido vocês a fazerem essa verificação envolvendo toda a comunidade e, sempre que possível, ouvindo também aqueles que não fazem parte dela e que veem as coisas, por assim dizer, “de fora”.
Para fazer esta verificação pastoral, o Papa sugeriu alguns pontos: primeiro, encontrar Cristo e fazer com que os outros o encontrem. “A Igreja não existe para si mesma, mas para conduzir cada pessoa a um encontro com o Senhor.” Segundo, gerar comunidade. “A partir da Páscoa de Cristo, nascem novas comunidades livres e reconciliadas.” Terceiro, habitar e servir a cidade. “Roma não é o cenário indiferente de nossas comunidades: é o local da nossa missão.” “A essas três vertentes de verificação soma-se uma quarta, que abrange todas elas: a formação do Povo de Deus”, acrescentou o Papa.
O Bispo não está pedindo que vocês planejem novas atividades: está propondo um método compartilhado de escuta, discernimento, verificação e conversão. Os conteúdos e as prioridades continuam sendo de responsabilidade de suas comunidades, nos cinco âmbitos que são a catequese e a iniciação cristã, juventude, família, caridade e vocações, porque o objetivo é partilhar um estilo pastoral, não uniformizar as experiências. E, nesse sentido, as Prefeituras são chamadas a se tornarem cada vez mais lugares de encontro, diálogo e elaboração pastoral compartilhado.
Lembrando que “um método, sozinho, nunca converteu ninguém”, o Papa disse que aprovou “a decisão de tomar as medidas necessárias para iniciar a investigação diocesana sobre a vida, as virtudes e a fama de santidade do Padre Luigi Di Liegro, sacerdote desta Igreja, falecido em 12 de outubro de 1997”. Leão XIV acrescentou que o dom de Pe. Luigi para a caminhada da Igreja “não reside primordialmente nas obras que realizou: o Padre Luigi, antes de construir qualquer coisa, queria “ver”. Em 1969, encomendou um levantamento sobre a religiosidade romana, pois aprendera que não há encarnação da mensagem sem escutar a realidade. Em seu último discurso, poucas semanas antes de morrer, o Padre Luigi disse à sua equipe: “O discernimento é esta pergunta: Senhor, onde você está?”
A seguir, Leão XIV frisou que “uma comunidade em que tudo depende do pároco é uma comunidade frágil, e presidir não significa fazer tudo. Significa gerar comunhão, valorizar as energias dos outros, conectar pessoas e realidades e preservar a unidade”. “O sacerdote integra-se e deseja pertencer a uma comunidade capaz de compreender seu entorno, compartilhar suas feridas e esperanças, responsável pela vida de todos, mesmo daqueles que nunca entram na Igreja. Esta é a forma que a caridade assume na presidência pastoral, e é o que impede uma paróquia de se autopreservar”, sublinhou.
“O presbitério não é a soma de sacerdotes que se reúnem para fins organizacionais: é uma fraternidade, e é o primeiro lugar para verificar se o que fazemos realmente gera comunhão”, disse ele. O Papa convidou os seminaristas a deixarem-se “formar tanto pelos livros, necessários para o encontro com bons mestres, quanto pelos rostos: dos pobres, dos doentes, do povo de nossas paróquias”.
De acordo com Leão XIV, do discernimento pastoral “nascerá uma fase de compartilhamento de experiências renovadas e, em seguida, a construção de um caminho comum que nos prepare, juntos, para o Jubileu da Redenção de 2033”.
O Papa concluiu, dizendo: “Queridos irmãos e irmãs de Roma, não tenham medo de se deixarem chamar pelo nome! O Senhor vivo se deixa encontrar por quem, como Maria no amanhecer da Páscoa, ainda têm a coragem de procurá-lo, mesmo em lágrimas, mesmo na escuridão. Que a Mãe de Deus, Salus Populi Romani, os acompanhe”.




