O monsenhor Christophe-Zakhia El-Kassis discursou na Conferência Mundial sobre a promoção do diálogo inter-religioso e criticou duramente o discurso de ódio
Da redação, com Vatican News

O arcebispo Christophe-Zakhia El-Kassis / Foto: Reprodução Youtube Vatican News
“Desarmando as palavras, damos os primeiros passos para tecer o tecido da paz social e promover uma cultura do diálogo, da tolerância e do respeito às diferenças.” Assim afirmou o novo observador permanente da Santa Sé junto às Nações Unidas, Christophe-Zakhia El-Kassis, em sua intervenção de hoje, 17 de setembro, em Nova York, por ocasião da Conferência Mundial sobre a promoção do diálogo inter-religioso e intercultural e da tolerância na luta contra o discurso de ódio.
O arcebispo de origem libanesa, que justamente ontem, 16 de setembro, apresentou sua carta de nomeação ao secretário-geral da ONU, António Guterres, fez-se porta-voz do que já havia sido expresso por Leão XIV em sua encíclica Magnifica humanitas: “A primeira contribuição que podemos dar a uma civilização mais humana é prestar atenção às nossas palavras… As palavras têm um poder enorme, algo que experimentamos em nossas interações cotidianas”.
O discurso de ódio cria terreno para a violência e a perseguição
Organizada pelo Reino do Marrocos, pelo Escritório das Nações Unidas para a Prevenção do Genocídio e a Responsabilidade de Proteger (OSAPG) e pela Aliança das Civilizações das Nações Unidas, a conferência permitiu a monsenhor El-Kassis reafirmar que “cada pessoa humana é criada à imagem e semelhança de Deus e possui uma dignidade inviolável que nenhuma ideologia, ideologia de ódio ou expressão de desprezo pode diminuir”.
“Dessa verdade fundamental — afirmou — deriva o imperativo moral de rejeitar toda forma de intolerância, discriminação e incitamento ao ódio, que fere a família humana e compromete as condições para uma convivência pacífica.”
As declarações do representante vaticano foram claras: “O discurso de ódio — seja ele dirigido contra indivíduos ou comunidades com base em sua religião, etnia, nacionalidade ou qualquer outra característica — contradiz o mandamento de amar o próximo, envenena o debate público, alimenta as divisões e, com demasiada frequência, prepara o terreno para a violência e a perseguição”.
As palavras de ódio comprometem as condições da verdadeira liberdade
“A verdadeira tolerância não é indiferença nem relativismo. É o reconhecimento ativo da igual dignidade de cada pessoa e da liberdade de consciência que cabe a cada um. Exige o esforço paciente do diálogo, da compreensão mútua e da rejeição dos estereótipos.”
Nesse espírito — prosseguiu El-Kassis —, “a Santa Sé promove o diálogo inter-religioso e intercultural como caminho essencial para superar os preconceitos e construir um mundo melhor para todos”.
“A liberdade de expressão é um direito fundamental que deve ser protegido. No entanto, essa liberdade implica responsabilidades correspondentes. Um discurso que deliberadamente incite ao ódio ou à violência não pode reivindicar a proteção da liberdade; pelo contrário, compromete as próprias condições nas quais a verdadeira liberdade pode florescer.”




