PAZ

Bispo de Kharkiv ao Papa: É preciso acabar com a guerra

O bispo Pavlo Honcharuk — uma das dioceses ucranianas mais atingidas pelo conflito —, encontrou-se com o Papa e o agradeceu o apoio e as orações pelas paz

Da redação, com Vatican News

O bispo Pavlo Honcharuk, de Kharkiv-Zaporizhzhia (Ucrânia) / Foto: Youri Melnik

Em declarações ao Vatican News, logo após uma audiência privada com o Papa no Vaticano, na sexta-feira, o Bispo Pavlo Honcharuk, de Kharkiv-Zaporizhzhia (Ucrânia), afirmou ter se sentido imensamente confortado pelas garantias do Papa de que tudo está sendo feito para “pôr fim a esta guerra”.

Os nomes dessas duas cidades ucranianas tornaram-se tristemente familiares nas notícias de todo o mundo, pois estão entre as mais próximas da fronteira russa e, consequentemente, entre as mais atingidas pela violência e brutalidade de um conflito que parece não ter fim à vista.

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O Bispo Honcharuk descreve Kharkiv como um “incêndio”, o “epicentro” da guerra.

Uma acolhida calorosa

“O Papa nos acolheu de coração aberto, e toda a audiência foi muito calorosa”, disse o Bispo ao Vatican News.

Também presentes na audiência, que durou cerca de uma hora, estavam o Padre Volodymyr Kyrylyuk — reitor do seminário da Diocese Latina de Kamyanets-Podilskyi e capelão voluntário que presta assistência pastoral a uma unidade de soldados — e que também integra a Comissão de Capelania Militar da Conferência dos Bispos Latinos da Ucrânia.

Estavam presentes ainda a Irmã Nelia Kutsak, membro da mesma comissão, e a psicóloga Tatiana Goncharuk. Desde 2014, ambas trabalham com soldados e com as famílias dos que morreram, ao mesmo tempo em que lecionam na Escola de Formação de Capelães.

Agradecendo ao Papa

“Todos se apresentaram ao Papa e pediram uma bênção para o seu serviço”, explicou o Bispo Honcharuk. “Recebemos essa bênção do Santo Padre não apenas para nós mesmos, mas para todos aqueles que trabalham para proteger vidas humanas.”

Por sua vez, o Bispo conta que agradeceu ao Papa várias vezes: “Agradeci-lhe pelas suas orações, pela sua preocupação, por tudo o que faz para apoiar o nosso país. E também pela sua ajuda na libertação dos nossos prisioneiros e no retorno das crianças para casa. Disse que contamos com as suas orações e o seu apoio, pois são uma grande fonte de força para nós.”

Um convite à Ucrânia

O Bispo Honcharuk também reiterou o convite para que o Papa visite a Ucrânia: “Seria um grande sinal para nós. Nesse caso — eu lhe disse —, ele teria de vir a Kharkiv.”

O Bispo afirma que levará de volta à sua diocese e ao seu povo — exaustos pelos bombardeios e pela violência — as palavras de encorajamento do Papa: “Ele disse que tudo está sendo feito para pôr fim a esta guerra; que há um grande trabalho sendo realizado nesse sentido”, tanto diplomática quanto espiritualmente.

“Para nós, isso é importante porque nos ajuda a compreender que não estamos sozinhos, que o mundo vê claramente quem é a vítima e quem é o agressor”, continua o Bispo de Kharkiv.

As visitas à Ucrânia realizadas neste verão pelo Secretário do Vaticano para as Relações com os Estados, Arcebispo Paul Richard Gallagher, e pelo Cardeal Matteo Zuppi, presidente da Conferência Episcopal Italiana (CEI), também são importantes nesse aspecto.

“Elas demonstram que a Santa Sé está empreendendo todos os esforços ao seu alcance. Em outras palavras, estão utilizando todo o seu ‘arsenal’, todas as ferramentas à disposição, para promover essa causa”, enfatiza o Bispo.

Morte e medo

O tom do Bispo muda quando lhe perguntam como as pessoas vivem hoje em Kharkiv, onde milhares morreram, inúmeras outras ficaram feridas e os ataques aéreos continuam sem trégua — um dos mais recentes ocorreu em 8 de setembro.

“É uma pergunta muito simples e muito complicada”, responde ele.

“É simples porque vemos o que está acontecendo. É complicada porque testemunhamos ataques contínuos contra civis, contra armazéns — uma verdadeira máquina de morte. Muitas pessoas estão morrendo, crianças estão morrendo, pessoas estão perdendo suas casas. Parece, de fato, um extermínio do povo da Ucrânia.”

Para o Bispo Honcharuk, parece haver, por parte do agressor, um “desejo de eliminar”.

Ele é igualmente duro em sua avaliação das negociações mais recentes sobre a Ucrânia, incluindo as missões de enviados dos EUA a Moscou e Kiev, as conversas entre Trump e Putin, as aparentes aberturas manifestadas pelo presidente russo e as declarações do presidente ucraniano Zelenskyy sobre a possibilidade de concessões apenas se Moscou ceder algo.

“É um jogo”, diz o Bispo de Kharkiv. “Se tudo isso fosse possível, já teria sido feito.”

A guerra na Ucrânia não é “como um jogo de futebol”, ressalta o Bispo. “Não devemos olhar para quem ganhou e quem perdeu.”

Há pessoas morrendo, pessoas que ficarão marcadas para sempre e pessoas aterrorizadas pelo fato de que “há aqueles que querem entrar na nação para eliminá-la”.

“É, precisamente, uma semeadura de medo e morte”, insiste ele.

A esperança de que a guerra termine em breve

A esperança do Bispo Honcharuk, então, é que “a guerra termine o mais rápido possível”.

“Pedimos a Deus que o Seu amor entre no coração de todos. Porque, se o amor de Deus entra no meu coração, ele eleva a minha dignidade. E somente quando, como ser humano, sinto a minha própria dignidade, posso ver a dignidade do outro. Todas as guerras começam quando o homem está sem coração”, conclui ele.

Evite nomes e testemunhos muito explícitos, pois o seu comentário pode ser visto por pessoas conhecidas.

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