HÁ 25 ANOS

Arcebispo de Nova York recorda o 11 de setembro

Dom Ronald Hicks, recorda a fé que ajudou as pessoas naqueles momentos dramáticos, destacando as comemorações organizadas para recordar a data

Da redação, com Vatican News

Memorial dedicado às vítimas dos atentados de 11 de setembro / Foto: Evan Thomas por Unsplash

Vinte e cinco anos após os ataques terroristas que provocaram a morte de quase 3 mil pessoas em Nova York, na Pensilvânia e em Washington, D.C., o arcebispo de Nova York, Dom Ronald Hicks, recorda a fé que ajudou as pessoas naqueles momentos dramáticos, destacando as comemorações organizadas “para parar, ouvir, rezar, não esquecer” e para “fazê-lo como comunidade, junto com Deus”.

O arcebispo de Nova York, Dom Ronald Hicks / Foto: Reprodução Youtube

“Todas as pessoas com quem conversei se lembram exatamente de onde estavam 25 anos atrás.” A afirmação é feita logo no início da entrevista aos meios de comunicação do Vaticano pelo arcebispo de Nova York, dom Ronald Hicks, referindo-se ao aniversário que marca um quarto de século dos ataques de 11 de setembro de 2001. Estivessem no trabalho, na escola ou ainda não tivessem nascido, os acontecimentos daquele dia mudaram a face do mundo. Para o arcebispo Hicks, o 11 de setembro de 2001 começou em uma sala de aula, durante seus estudos de pós-graduação como sacerdote na Arquidiocese de Chicago, no estado de Illinois. Ele recorda que toda a turma permaneceu sentada e incrédula depois de receber a notícia. Foi um acontecimento que atingiu não apenas os locais onde os aviões caíram — Nova York, Washington, D.C., e Pensilvânia —, mas também milhares de pessoas cujas vidas jamais voltariam a ser as mesmas.

A fé em meio ao terror

Em um dia marcado pelo terror, pela tristeza e pelo choque, também a fé renasceu entre os escombros. As pessoas não apenas a encontraram naquele 11 de setembro, mas, segundo o arcebispo Hicks, ela se tornou um ponto de referência. “No fundo, quando tudo desmorona, as pessoas retornam imediatamente a Deus, à fé, à esperança, àqueles valores fundamentais que nos mantêm unidos como povo”, explica. Somente naquele dia, mais de 2.900 pessoas perderam a vida. Entre os milhares de socorristas que correram para o World Trade Center, o Pentágono e o local da queda do avião na Pensilvânia, centenas morreram na tentativa de salvar outras pessoas.

O padre Mychal Judge, capelão dos Bombeiros de Nova York, foi um exemplo concreto desses valores fundamentais. “Penso que aquilo que vimos no padre Judge é o que aconteceu com muitíssimas pessoas”, destaca o arcebispo Hicks. “Quando há necessidade, as pessoas entram na luta, sem hesitar, e ajudam… ele perdeu a vida, mas isso é amor sacrificial.”

O sacerdote foi a primeira vítima dos atentados cuja morte foi oficialmente confirmada. Seu nome figura entre as outras 2.976 pessoas eternizadas no memorial — construído com o aço das Torres Gêmeas — em Nova York.

Uma comunidade que se une

Na cidade onde um dia se ergueram as duas torres do World Trade Center, atos de homenagem, celebrações religiosas, missas e cerimônias comemorativas marcam o aniversário: das marchas em memória das vítimas e cerimônias de deposição de coroas às homenagens e tributos luminosos, até o toque dos sinos exatamente às 8h46 da manhã, momento em que, 25 anos atrás, o primeiro avião atingiu a Torre Norte. É um momento “para parar, ouvir, rezar, não esquecer, e fazê-lo como comunidade, junto com Deus”, explica o arcebispo de Nova York.

A arquidiocese também celebrou uma missa de vigília na noite de 10 de setembro, na Catedral de São Patrício, no coração de Nova York. Na igreja lotada estavam familiares das vítimas, representantes da Polícia e dos Bombeiros de Nova York, da Autoridade Portuária, profissionais dos serviços de emergência, líderes civis, organizações humanitárias, sacerdotes e leigos. O arcebispo Hicks descreve o apoio proporcionado por essa unidade, especialmente àqueles que, 25 anos depois, continuam sofrendo. “É preciso muito tempo para elaborar um acontecimento dessa dimensão. Portanto, reunir-se na fé e na missa ajuda.”

A paz é frágil

Comemorar os acontecimentos de 11 de setembro de 2001 também nos recorda que a paz é frágil. Ela só pode ser alcançada quando as pessoas se unem para trabalhar por ela, superando divergências e desafios. Os ataques inauguraram um período de tensão. Feriram o sentido de fraternidade e lançaram dúvidas sobre a estabilidade e a paz construídas com tanto esforço após o fim da Guerra Fria.

Apenas oito semanas depois dos ataques, São João Paulo II destacou que o diálogo é “essencial para superar os trágicos conflitos herdados do passado e para assegurar que ‘o nome do único Deus deve tornar-se cada vez mais, como de fato é, um nome de paz e um imperativo de paz’”.

Sete anos depois, no local onde ficava o World Trade Center, o Papa Bento XVI rezou pela paz em nosso mundo violento. “Conforta-nos e consola-nos, fortalece-nos na esperança e concede-nos a sabedoria e a coragem de trabalhar incansavelmente por um mundo no qual a paz e o amor autênticos reinem entre as nações e nos corações de todos.”

Em 2015, o Papa Francisco recordou como esse amor havia se manifestado naquele dia trágico: “Aqui, em meio à dor dilacerante, podemos tocar com as mãos a capacidade de bondade heroica da qual também é capaz o ser humano, a força escondida à qual devemos sempre recorrer. No momento de maior dor, sofrimento, vocês foram testemunhas dos maiores atos de dedicação e ajuda. Mãos estendidas, vidas oferecidas.”

Diálogo e fraternidade

A missa na Catedral de São Patrício, 25 anos após os atentados, foi um exemplo do diálogo e da fraternidade invocados pelos Pontífices para alcançar a paz no mundo, mas também em nossos países, nossas cidades e nossas famílias. Católicos, rabinos, imãs, pastores protestantes, grupos inter-religiosos e ecumênicos estiveram presentes na catedral, rezando e esperando juntos.

O diálogo “começa por nós. Podemos não concordar em uma série de questões. Pode tratar-se de teologia, eclesiologia [ou] política. Mas precisamos dar o primeiro passo para permanecermos ao menos unidos e seguir verdadeiramente o exemplo da paz”, ressalta o arcebispo de Nova York.

Toda a sua homilia em São Patrício concentrou-se no fato de que a cura e o luto exigem tempo. Eles não podem ser simplesmente apagados. Não podem ser ignorados. Mas a esperança, afirma o arcebispo, é eterna. “Deus está conosco no bem e no mal. Está conosco em nossas tragédias, em nossas alegrias. Nunca somos abandonados. Nunca estamos sozinhos. Deus estava conosco 25 anos atrás. Deus esteve conosco ao longo destes 25 anos. Deus está conosco hoje. Deus continuará conosco amanhã.”

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