Relação dos dois Governos afeta economia de exportações
O Governo Federal acionou formalmente a Organização Mundial do Comércio contra as tarifas impostas pelos Estados Unidos. A medida questiona duas taxações adotadas sobre produtos brasileiros.
Reportagem de Aline Campelo e Sanny Alves
O Governo de Donald Trump definiu duas alíquotas para aplicação. Países que proibiram a importação de bens produzidos com trabalho forçado estão sujeitos à taxa de 10%. Já os territórios considerados insuficientes nesse combate, incluindo o Brasil, precisarão pagar uma taxa de 12,5%.
“Conforme a projeção do FMI, o efeito do tarifaço, em especial pro Brasil, é moderado. Para o caso brasileiro, o PIB deve ser afetado em cerca de 2% do PIB Nacional. Isso tendo maior efeito com relação às exportações de café e carne”, constou o economista, João Gabriel.
As tarifas anunciadas nos últimos dias chegam a 37,5% e afetam a exportação de uma série de produtos aos Estados Unidos, como madeira, máquinas e equipamentos, rochas naturais, calçados e gordura vegetal e animal.
Na semana passada, o Governo Federal definiu medidas para socorrer as empresas afetadas pelo tarifaço. Este economista avalia que o crédito emergencial não pode substituir reformas estruturais. “O verdadeiro desafio é criar um ambiente em que empresas precisam cada vez mais menos do Governo para competir. O crédito emergencial pode ser importante para atravessar uma crise, mas o crescimento econômico não nasce de linhas de financiamento”, analisou o especialista em agronegócio, José Eustáquio.
De acordo com o Governo de Trump, a decisão do escritório de comércio dos Estados Unidos é resultado de investigações de práticas comerciais desleais com ênfase em produtos comercializados a partir de trabalho forçado. “A agenda eleitoral contaminou toda essa questão envolvendo tarifaço. O Governo americano driblou uma decisão da Suprema Corte sobre o argumento político, sobre a influência das eleições de meio de mandato no mês de novembro nos Estados Unidos. E para piorar, houve pouco diálogo do Governo brasileiro com o Governo norte-americano por questões de ideologia, por questões de disputas políticas que prejudicaram milhões de empregadores e o setor produtivo brasileiro”, completou o cientista político, Murilo Medeiros.




