Entrevista

Papa deseja ir aos EUA para testemunhar compromisso em favor da paz

Após encontro pela paz em Castel Gandolfo nesta quarta-feira, Leão XIV concedeu entrevista a veículos da imprensa

Da Redação, com Vatican News

O Papa Leão XIV aparece com suas habituais vestes brancas diante de um púlpito com microfone. Ele acena com a mão direita

O Papa Leão XIV expressou desejo de visitar seu país natal, os Estados Unidos / Foto: ALESSIA GIULIANI IPA/Sipa USA via Reuters Connect

O Papa Leão XIV concedeu uma entrevista às emissoras NBC e Telemundo ao término do “Cântico de Paz”, um encontro de oração pela paz realizado nesta quarta-feira, 29, no Borgo Laudato si’, em Castel Gandolfo. O Pontífice comentou sobre o evento, mas também sobre seu desejo de visitar os Estados Unidos, seu país natal.

Segundo o Papa, a união, pela música, de crianças de várias partes do mundo e de diversas religiões representou um convite a olhar além e reconhecer a beleza de deixar de lado algumas diferenças e ver a riqueza representada por cada ser humano, todos criados à imagem de Deus. Nas orações recitadas, as crianças perguntavam aos adultos algo tão simples quanto desarmante: “Por que existe a guerra e não a paz? Por que existe o ódio e não o amor?”.

“Acredito que as crianças podem nos ensinar muito e que precisamos redescobrir os valores, o tesouro que existe no ser humano, no fato de sermos todos irmãos e irmãs, percebendo que todos podemos realmente participar de uma sociedade que ama a paz, que busca a paz, que acolhe uns aos outros apesar das diferenças. Se todos trabalharmos para construir a paz, poderemos superar tantas situações que geram conflito e ódio.”

A relação com os Estados Unidos

Na sequência da entrevista, abordou-se o fato do Papa Leão XIV ser o primeiro Papa norte-americano. O Pontífice ressaltou que pensa em si mesmo, antes de tudo, como o Papa que, apenas por circunstância, é americano. Não se trata de diminuir o valor da pátria, que ele ama, mas de reafirmar sua missão como pastor da Igreja universal.

“Por isso coloco as coisas nessa ordem e, ao mesmo tempo, reconheço que, tanto para mim quanto para o povo dos Estados Unidos, a julgar pela reação que vimos desde 8 de maio do ano passado, ser o primeiro Papa americano tem um grande significado.”

O Papa também revelou que aprecia, sobretudo, os princípios que os Estados Unidos representam: o sentido de liberdade,  de oportunidade, o fato de, por gerações, ter convidado pessoas de todas as partes do mundo a fazerem parte da América. “Existe uma história, por assim dizer, de crescimento, e esse tipo de experiência me ajuda a reconhecer uma das maiores riquezas dos Estados Unidos. E continuo a defender os princípios que, durante tantos anos, fizeram parte da identidade americana, e isso continuará.”, acrescentou, recordando que também ele, por parte dos avós, descende de uma família de imigrantes.

Visita ao seu país natal

Durante seu pontificado, Leão XIV dirigiu numerosas mensagens a diferentes realidades de seu país. Questionado sobre uma possível visita aos Estados Unidos, não escondeu o desejo de ir pessoalmente, para testemunhar com ainda “maior força” seu compromisso em favor da paz, do amor e do esforço comum para construir a harmonia.

“Vocês me verão lá. Por coincidência, justamente hoje estávamos olhando o calendário para os próximos dois anos. Ainda não há nada definitivo, mas espero sinceramente poder ir em breve.”

O pensamento conclusivo do Pontífice foi dirigido aos migrantes. “Tenham esperança. Procurem, certamente, viver de maneira ordenada. É preciso reconhecer que, se alguém cometeu delitos ou crimes, não se pode construir uma sociedade dessa forma. Portanto, devemos aprender a viver em paz, mas também precisamos ter coragem e esperança, que sempre nos sustentem.”

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