Na última semana do Mês Vocacional, Igreja destaca missão dos cristãos leigos: levar o Evangelho para a família, o trabalho e as diferentes realidades
Julia Beck
Da Redação

Fiéis leigos na Santa Missa /Fotos: Bruno Marques e Daniel Xavier
A última semana de agosto, dentro da programação do Mês Vocacional, é dedicada à vocação dos cristãos leigos: aqueles que são chamados, pelo Batismo, a participar da missão da Igreja e a testemunhar o Evangelho nas diferentes realidades da sociedade.
Para o presidente da Comissão Episcopal para o Laicato da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), Dom Giovane Pereira de Melo, compreender a vida leiga como vocação significa reconhecer que a presença do cristão no mundo possui uma missão própria.
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“A vocação dos cristãos leigos e leigas é procurar o Reino de Deus, tratando e ordenando segundo Deus as coisas temporais”, explica o bispo, citando a Constituição Dogmática Lumen Gentium. Segundo ele, essa missão se concretiza na família, no trabalho, na cultura, na política, na economia e nas demais realidades da sociedade.
Uma vocação que nasce do Batismo
A vocação leiga não deve ser compreendida apenas como uma colaboração com o clero ou como o desempenho de tarefas dentro da Igreja. O presidente da Comissão para o Laicato da CNBB explica que ela nasce do Batismo e constitui uma forma própria de participação na missão evangelizadora.
O cristão leigo é chamado a levar o Evangelho para além dos espaços eclesiais, tornando-o presente por meio da própria vida, do testemunho, da palavra e do compromisso com as realidades do mundo, indica o bispo.
Como discernir a própria vocação?
Um dos primeiros passos para esse discernimento é reconhecer os dons e carismas recebidos e compreender de que maneira podem ser colocados a serviço dos outros. Nesse caminho, algumas perguntas suscitadas por Dom Giovane podem ajudar: quais são os dons que recebi? Onde minhas capacidades podem contribuir para o bem do outro? Para quem e para que Deus me chama a colocar aquilo que sou a serviço?
O discernimento, porém, não acontece de maneira isolada. O bispo destaca também a importância de uma formação contínua, bíblica, teológica, pastoral e humana, em sintonia com a Igreja local, com a Igreja no Brasil e com o Magistério da Igreja universal.
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Participar para descobrir onde servir
A participação na comunidade é outro passo importante para reconhecer onde Deus chama cada pessoa a servir. Paróquias, pastorais, movimentos e comunidades oferecem oportunidades para que os leigos coloquem os próprios dons à disposição da missão.
“Não tem como compreender a vocação laical sem a participação”, afirma Dom Giovane. Para ele, participar significa tomar parte na missão da Igreja, que nasce do Batismo e é responsabilidade de todos os cristãos.
Por isso, o presidente da Comissão para o Laicato da CNBB frisa que o leigo deve ser reconhecido como “sujeito eclesial”, com espaços de escuta, corresponsabilidade e participação nos caminhos da missão. A diversidade de dons e serviços, ressalta o bispo, deve ser vivida não como competição, mas como comunhão e contribuição para o bem de toda a comunidade.
Do discernimento à missão
Depois de reconhecer os dons e o chamado recebido, é preciso transformá-los em missão concreta. A vocação leiga se realiza nas diferentes dimensões da vida cotidiana.
Na família, manifesta-se no amor, no cuidado, na transmissão da fé, na educação dos filhos, no diálogo e no perdão. O ambiente familiar, destaca Dom Giovane, é “primeiro espaço de vivência e transmissão da fé”.
No trabalho e na sociedade, o bispo frisa que o testemunho cristão passa pela honestidade, justiça, solidariedade, responsabilidade, respeito à dignidade humana e compromisso com o bem comum. Na Igreja, os leigos podem colocar seus dons e competências a serviço da comunidade em pastorais, movimentos, catequese, liturgia, formação, administração e ministérios laicais.
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Assim, Dom Giovane sublinha que a vocação não se resume a encontrar uma função dentro da Igreja, mas a reconhecer que toda a existência pode se tornar lugar de missão.
Papel da família no discernimento dos filhos
O discernimento vocacional começa também dentro de casa. O presidente da Comissão para o Laicato da CNBB recorda que a família é o primeiro espaço onde a criança aprende a fé, o amor, o serviço e a responsabilidade.
Nesse processo, o bispo ressalta que o testemunho dos pais tem papel fundamental. A oração em família, a participação na comunidade, a prática da caridade e a vivência dos valores do Evangelho são práticas que, de acordo com ele, ajudam os filhos a compreender que o Batismo os torna participantes da vida e da missão da Igreja.
A inserção progressiva na vida comunitária, por meio da Iniciação à Vida Cristã, da liturgia, do serviço como coroinha, da Infância e Adolescência Missionária e de outras experiências, também favorece a descoberta dos dons e o sentido de pertença, acrescenta Dom Giovane.
Ao mesmo tempo, os pais são chamados a respeitar os dons, interesses e sensibilidades dos filhos, sem impor um caminho vocacional. “Desde a infância, a criança pode compreender que ser cristão não significa apenas ‘ir à Igreja’, mas participar da missão de Jesus e colocar a própria vida a serviço do bem, na Igreja, na família e na sociedade”, conclui.




