Por meio de uma conexão em vídeo, padre Romanelli atualizou a situação em Gaza, descrevendo a “realidade terrível” deste pedaço da Terra Santa
Da Redação, com Vatican News

O padre Gabriel Romanelli / Foto: Reprodução Youtube – Meeting di Rimini
O pároco da Igreja Sagrada Família em Gaza, padre Gabriel Romanelli, participou, por videoconferência, do encontro “Amar a Terra Santa”, no Encontro de Rimini, em andamento na Itália de 21 a 26 de agosto. O sacerdote testemunhou a realidade local, que embora tenha desaparecido da mídia, continua uma catástrofe: “Gaza está devastada. A catástrofe não desapareceu de forma alguma. Aqui é uma luta diária”.
O encontro também contou com a participação do Custódio da Terra Santa, frei Francesco Ielpo. Por meio de uma conexão em vídeo, padre Romanelli atualizou a situação em Gaza, descrevendo a realidade “terrível” deste pedaço da Terra Santa. “Nem sequer se pode dizer que seja uma situação pós-catástrofe, porque a catástrofe desapareceu da mídia, mas aqui ela não desapareceu de forma alguma.”
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Emergências e luta pela água potável
Padre Romanelli frisou que a situação continua dramática. Embora os bombardeios não sejam intensos como antes, há ataques até mesmo no centro da cidade. “A maioria dos cidadãos, todos, 2 milhões e 300 mil pessoas, precisam absolutamente de tudo. Gaza está devastada. É como um tsunami que destrói tudo e, depois, ninguém vai em socorro das populações atingidas.”, lamenta.
O sacerdote relatou que a ajuda não chega à cidade e a emergência só piora a cada dia. A maior parte da população vive em barracas ou nas ruas e nem sequer tem fonte de energia. “E ainda é preciso lutar pela água; é uma luta diária.”
Frente a esses desafios, a igreja tenta fazer o seu melhor. “Distribuímos água potável para mais de 400 famílias. Nossa igreja foi construída sobre uma fonte ou uma cisterna de água; bombeamos essa água a um preço altíssimo, pois cada litro de diesel para o gerador custa 10 euros. E isso não se deve ao problema do Estreito de Ormuz, mas sim à guerra”.
Alegria em meio ao caos

Padre Gabriel Romanelli participou do encontro de Rimini por videoconferência / Foto: Reprodução Youtube – Meeting di Rimini
Padre Romanelli contou ainda que, apesar de tudo, eles também brincam com a água não potável e todos riem; até os adultos. “Parece uma loucura, mas a tristeza se vence com a alegria, e a alegria do Evangelho nos é dada por Jesus. A última palavra não é a Cruz. A Cruz é uma palavra necessária, mas a palavra definitiva é a Ressurreição. E nós devemos vivenciar esse mistério pascal na vida cotidiana”.
Mesmo com a guerra e após vários processos de evacuação em meio a uma realidade tão dura, padre Romanelli decidiu permanecer em Gaza, uma decisão que ele explica como uma “resposta natural”, tanto do ponto de vista humano quanto espiritual.
“Não é um desafio político. O pastor deve permanecer com seu rebanho. Assim, eu, como pároco, sacerdote e missionário, e da mesma forma os outros padres e as outras religiosas, percebemos que a resposta era permanecer próximos das pessoas; não podíamos abandonar as pessoas com deficiência, as crianças, as famílias e tantos outros que continuam a depender da nossa presença. Além disso, estamos aqui por Jesus Cristo, para preservar a presença eucarística, Jesus Cristo fisicamente presente na Eucaristia e espiritualmente presente em cada fiel. Engolir as lágrimas é o dever de quem ama; assim é a vida neste vale de lágrimas”.
As palavras finais do sacerdote foram de esperança, apesar de tudo. Diante das crescentes polarizações e da espiral de palavras e princípios violentos em toda a região, a presença cristã deve ser diferente, pontuou ele. “Estamos convencidos de que a paz é possível e que a paz justa é necessária. Portanto, uma das maneiras de ajudar a comunidade palestina e a israelense é semear a paz, falar de justiça e convencer o mundo de que ‘Chega! Chega!’, porque é terrível ver vítimas inocentes de um lado e do outro. E tudo isso na Terra Santa, onde viveu Deus encarnado”.




