Leão XIV presidiu as vésperas da Solenidade do Sagrado Coração de Jesus nesta quinta-feira, 11; em sua homilia, refletiu sobre o amor gratuito de Deus
Da Redação, com Boletim da Santa Sé

Papa Leão XIV acena para fiéis / Foto: REUTERS/Yara Nardi
Nesta quinta-feira, 11, o Papa Leão XIV presidiu a Missa na Catedral de Sant’Ana, em Las Palmas de Gran Canária. O Pontífice celebrou as vésperas da Solenidade do Sagrado Coração de Jesus, destacando, em sua homilia, o amor de Deus pela humanidade.
No início de sua fala, o Santo Padre expressou sua alegria pelo dia repleto de encontros e partilhas e convidou os presentes a rezarem juntos, na Missa, por aqueles que perderam a vida no mar. “Peçamos ao Senhor que, neste momento, estejam presentes em nós os mesmos sentimentos de humanidade, misericórdia e compaixão do Coração do Salvador”, acrescentou.
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Leão XIV tomou a Liturgia do dia como base para sua reflexão. Começando pela Primeira Leitura (Dt 7,6-11), apontou a gratuidade do amor de Deus. O Senhor não escolhe os homens por seus méritos, mas decide amá-los por puro amor — e continuará sempre a amá-los, apesar da dureza de seus corações.
“Esta é a caridade de Deus, na qual tem as suas raízes a nossa vocação ao amor, que não se baseia no cálculo, nem no mero sentimento, nem se reduz a simples filantropia, mas penetra todo o nosso ser: fogo para a alma, luz para a mente, impulso irresistível para a liberdade, paz e, ao mesmo tempo, tormento para o coração, que bate em sintonia com outros corações, envolvendo toda a pessoa. Porque amar é conatural ao homem, ou melhor, é condição para a plenitude da própria existência”, refletiu o Papa.
Amor e gratuidade
Na humanidade de Jesus e nos movimentos de seu Santíssimo Coração, prosseguiu o Pontífice, é revelado o amor imutável e fiel de Deus, mesmo perante a incompreensão e a rejeição, o medo, a tristeza e a resistência humana.
“E é neste rosto de Deus sempre apaixonado”, acrescentou o Santo Padre, “que anseia total e constantemente o nosso bem e a nossa plena felicidade, que reconhecemos o caminho da vida, aprendendo um novo modo de existir e de nos relacionarmos, um critério diferente para avaliar as decisões, um estilo renovado e estimulante de viver a comunhão”.
O Pontífice recordou seu predecessor, o Papa Francisco, que na carta encíclica Dilexit nos escreveu que “a melhor resposta ao amor do seu Coração é o amor aos irmãos” (n. 167). Tal retribuição por amor, continuou Leão XIV, é a “maravilhosa permuta” à qual o Evangelho convida os homens, de forma a traduzir a medida infinita do amor de Deus por meio da generosidade.
Ainda sobre a gratuidade do Coração de Cristo, o Santo Padre indica que ela não se limita ao acolhimento e à partilha: vai mais longe, “comprometendo-se a ajudar cada um não só a sobreviver, mas também a recuperar a confiança e a retomar o caminho, para crescer e florescer plenamente na sua singularidade, para o bem de todos”.
Caridade além do assistencialismo
Em relação à Segunda Leitura, Leão XIV sublinhou que “Deus enviou o seu Filho único ao mundo, para que tenhamos vida por meio dele” (1Jo 4,9). Recordando o episódio em que Jesus curou um paralítico ordenando que ele se levantasse, pegasse seu leito e andasse, o Papa sinalizou que, além de abraçar aqueles que forem, é preciso prepará-los e encorajá-los a se levantarem e voltarem a se colocar a caminho rumo a uma vida livre e digna.
“Nossa caridade não deve limitar-se a um mero assistencialismo, mas deve integrar as pessoas, para a sua plena realização — espiritual, intelectual e física — e a sua inserção digna e construtiva na comunidade”, pontuou o Papa. “Só assim os nossos encontros, mesmo perante acontecimentos difíceis e dolorosos, se transformarão numa ocasião para semear a esperança no caminho da humanidade rumo a um futuro melhor”, acrescentou.
Humildade que faz todos irmãos
Aproximando-se do fim da homilia, o Pontífice refletiu ainda sobre a humildade. “O Coração de Jesus é humilde e, por isso, os seus batimentos não são sentidos pelos “doutos” e pelos “sábios”, ou seja, por aqueles que têm a presunção de bastar-se a si mesmos, de saber tudo, de não precisar nem de Deus nem dos outros”, sublinhou.
Jesus ensina justamente que, para saborear a alegria da vida que reside no amor, é preciso descer dos pedestal da arrogância que divide e encontrar-se com o próximo na humildade que torna todos irmãos. “Onde há verdadeira humildade, há amor, e onde há amor, há paz, porque só na humildade conhecemos realmente quem somos e, por isso, podemos amar-nos, encontrar-nos, entregar-nos e perdoar-nos na verdade”, frisou.
“Inflamados pela caridade do seu Coração, sejamos portadores da sua misericórdia e da sua paz, para que cessem as guerras no mundo e cresça à nossa volta uma nova humanidade, reconciliada no amor”, concluiu o Santo Padre.




