Leão XIV participou de encontro com organizações de caridade e assistência da Arquidiocese de Barcelona e refletiu sobre a identidade cristã
Da Redação, com Boletim da Santa Sé

Papa Leão XIV acena para os fiéis reunidos na Igreja de Santo Agostinho / Foto: REUTERS/Yara Nardi
Na tarde desta quarta-feira, 10, o Papa Leão XIV visitou a Igreja de Santo Agostinho, em Barcelona, para se encontrar com as organizações de caridade e assistência da arquidiocese. Após ser acolhido pelos presentes e ouvir alguns relatos de pessoas envolvidas nessas instituições, o Pontífice assistiu a um testemunho em vídeo e ouviu o jovem Renzo, que tem seis anos e escreveu uma carta com algumas perguntas a ele.
Antes de respondê-las, o Santo Padre expressou sua alegria e gratidão à acolhida que recebeu. “Aqui, de verdade, me sinto em casa”, manifestou, recordando ainda a primeira vez em que visitou a igreja dedicada a Santo Agostinho em 1984. “Estava fechada. Hoje, está aberta, e que bonito é encontrar uma igreja com uma comunidade de agostinianos e tantas pessoas que vivem e elevam a Deus”, declarou.
A primeira pergunta feita por Renzo é se Leão XIV gosta de futebol. Ele disse que, como muitos já sabem, gosta de jogar tênis. Mas, quando era criança, jogava futebol americano e, mais tarde, também futebol com os seminaristas em Trujillo, no Peru — “na defesa, se querem saber. Não era um grande goleador”.
Acesse
.: Todas as notícias sobre a viagem do Papa à Espanha
O Papa destacou que “um pouco de esporte faz bem para todos”, ajudando a manter a saúde do corpo, da mente e da alma. Ele também sublinhou a coletividade ensinada pelo futebol: “Alguém que tem talento, mas nunca passa a bola, não deixa que os outros participem do jogo, provavelmente vai perder”.
Vocação e amizade com Deus
Renzo também perguntou se o Pontífice, quando pequeno, queria ser Papa. “Acho que nunca pensei nisso”, respondeu o Santo Padre, “mas posso dizer-te uma coisa: desde pequeno, senti o desejo de entregar a minha vida a Deus. Ainda não sabia bem como nem por onde o Senhor me levaria”.
Leão XIV partilhou que, com o tempo, foi descobrindo o chamado de Jesus para sua vida. Ele ressaltou que isso não se aplica apenas a algumas pessoas, uma vez que “toda criança é um sonho de Deus” e que “o Senhor deseja a felicidade de todos e quer que, desde pequenos e ao longo de toda a vida, conservemos um coração como o das crianças”.
“Por isso”, prosseguiu o Papa, “mais importante do que nos perguntarmos se seremos sacerdotes, médicos, professores, pais de família ou qualquer outra coisa, é importante perguntarmo-nos se queremos ser amigos de Jesus. Porque a amizade com Jesus dá-nos alegria, torna-nos livres e ajuda-nos a ver, pouco a pouco, a vocação e o caminho que Deus pensou para cada um”.
Sofrimento, perdão e atenção aos idosos
Na pergunta seguinte, o Pontífice foi questionado sobre a razão por que algumas pessoas sofrem e outras não. Ele afirmou que pensar na vida de Jesus pode ajudar a compreender isso, pois, por meio da vida de Seu Filho, Deus ensina que, embora haja sofrimento, Ele nunca abandona nenhum dos seus filhos. “Tenhamos confiança: Jesus está conosco, ajuda-nos, acompanha-nos e dá-nos forças para superar os momentos difíceis que possamos encontrar na vida”, expressou.
O Santo Padre também afirmou, ao ser questionado sobre a importância dos avós para as famílias, que eles nunca deveriam ficar sozinhos. Muitas vezes, são eles que cuidam dos netos enquanto os pais trabalham, observou Leão XIV. Por isso é preciso retribuir esse amor também com amor.
“Não permitamos que a solidão e o abandono se normalizem na vida dos idosos. Isso é muito triste. Tenhamos o coração aberto a todos eles; e, mesmo não sendo nossos avós, não permitamos que se sintam sozinhos nem desprotegidos. Porque, se não queremos a solidão para nós, também não devemos permiti-la para os outros”, expressou o Papa.
Por fim, diante da pergunta se é preciso sempre perdoar, o Pontífice recordou que esse foi o ensinamento deixado por Jesus. “Perdoar não significa dizer que o mal esteve certo, nem deixar que alguém continue a fazer o mal”, observou. “Perdoar significa não deixar que o ódio se torne o dono do nosso coração”, acrescentou, frisando que o perdão é a única maneira de experimentar a paz de Deus e de curar feridas espirituais.
Identidade do cristão
Na sequência de sua fala, o Santo Padre afirmou que ser cristão é, acima de tudo, uma graça. “Alicerçados em Cristo, que é a pedra viva, experimentamos a ação do Espírito Santo, com a convicção de que todo o esforço realizado com sinceridade para cooperar com Ele em favor do nosso próximo será abençoado pelo Pai celeste, em quem colocamos a nossa esperança”, declarou.
Chamados a amar a Deus e aos irmãos, o cristão é enviado a ir ao encontro de todos. Por isso, além de ser bondoso e amável, o cristão também deve ser compassivo, amar desinteressadamente e procurar o bem dos outros, sabendo que em cada irmão que sofre é o próprio Senhor quem pede e recebe, quem é acolhido ou rejeitado, amado ou desprezado.
“A caridade evangélica, fundada em Jesus Cristo e alimentada pelo seu amor, molda e dá identidade à vida pessoal e comunitária de todo o cristão”, prosseguiu Leão XIV. Cada comunidade eclesial movida pela caridade é chamada a se aproximar, segundo suas possibilidades e capacidades, das feridas e necessidades dos pequenos e vulneráveis, para aliviar os seus sofrimentos e remediar a sua pobreza.
Presentificar o amor de Deus
Além disso, o Papa apontou que os cristãos são chamados a tornar presente o amor de Deus por cada homem ao longo da história. Para isso, é preciso acolher a todos como irmãos, pois enquanto filhos do mesmo Pai, todos estão essencialmente constituídos para a relação.
“Encorajo-vos a prosseguir, unidos aos vossos pastores, animando estes apostolados, dando testemunho do Evangelho e mostrando ao mundo a beleza da vida cristã, que antecipa aqui e agora a justiça e a paz que serão perfeitas no Reino de Deus. Sede, pois, testemunhas credíveis da esperança cristã no serviço solícito aos irmãos que (…) precisam de Deus, da sua amizade, da sua bênção, da sua Palavra, dos seus Sacramentos e da proposta de um caminho de crescimento e amadurecimento na fé”, concluiu o Pontífice.




