INCLUSÃO

Apoio especializado muda rotina de famílias de pessoas com autismo

Centro de atendimento traz possibilidade de aceitação e inclusão 

Um espaço dedicado ao cuidado, à inclusão e ao desenvolvimento. O Centro TEA completa um ano com mais de 300 mil atendimentos e impacto direto na vida de famílias da capital paulista.

Reportagem de Flavio Rogéri e Gilberto Pereira

 

Simone é mãe de Beatriz, de 23 anos, diagnosticada com transtorno do espectro autista.

Desde o ano passado, a jovem participa das atividades no Centro TEA da prefeitura de São Paulo. “Ela entrou aqui sem saber ler e escrever. Hoje, depois de um ano, ela já começa a ver um monte de placa por aí e ela já identifica as palavras, já está começando a juntar. E para muitos pais isso, com 23 anos os filhos estão saindo de uma faculdade, mas eu comemoro da minha 23 anos tá aprendendo a ler”, relatou Simone.

Acompanhamento que tem feito a diferença também para Mateus, de 14 anos, neto do senhor José. “Não tinha o hábito de ficar muito em público.  Ele se agitava muito e hoje se dá com todo mundo. Ele chega, ele brinca com os amigos. Na escola também”, contou o aposentado. 

Entre familiares e pessoas com autismo são cerca de 2800 acompanhados. A maioria dos diagnosticados com transtorno do espectro autista, cerca de 60%, é formada por crianças de 6 a 13 anos que participam de atividades individuais e coletivas. “É por perfil, por idade e também a gente vai entendendo a necessidade tanto dessa família como do atendido. E os atendimentos e grupos são as oficinas, educação física, psicopedagogo”, apresentou a supervisora pedagógica do Centro TEA, Patrícia Pereira.

Atividades simples do dia a dia, mas que talvez eles possam ter dificuldades em realizar, como escovar os dentes, arrumar a cama ou lavar uma louça, fazem parte das oficinas. 

Os familiares também podem participar das atividades. “Precisa cuidar desse filho, do neto, muitas vezes do sobrinho e nem todas têm uma rede de apoio”, completou ela.

Simone, ao acompanhar a filha nas consultas, descobriu também que possui autismo e a convivência no espaço tem feito a diferença. “Eu tive que esconder realmente quem eu era.

Para quê? para agradar a sociedade. Então, hoje eu posso ser quem eu sou e principalmente aqui, porque aqui não tem julgamento”, ressaltou Simone.

Senhor José reconhece os desafios de cuidar de um jovem com tema e reforça a importância de uma rede de apoio. “A minha vida também mudou bastante. Porque eu cheguei aqui, eu converso, dou risada, a gente brinca, a gente faz o teatrinho aqui nosso. Isso é muito importante para mim. Mudou muito a minha vida também”, terminou Seu José.

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