Castel Gandolfo

Papa reforça apelo pela unidade na Igreja diante de risco de cisma

Ao responder as perguntas dos jornalistas em Castel Gandolfo, Leão XIV anunciou que será feito um novo apelo aos lefebvrianos: “A divisão na Igreja é sempre uma dor”

Da Redação, com CNBB

Papa Leão XIV conversa com jornalistas em Castel Gandolfo após compromisso oficial, cercado por profissionais da imprensa, agentes de segurança e colaboradores.

Papa Leão XIV conversou com jornalista ao final da tarde desta terça-feira, 16, antes de deixar Castel Gandolfo /Foto: Reprodução Reuters

Como de costume, o Papa Leão XIV conversou, ao final da tarde desta terça-feira, 17, com os jornalistas que aguardavam sua despedida de Castel Gandolfo. O Pontífice respondeu inicialmente sobre sua viagem apostólica à Espanha, concluída na última sexta-feira, 12, durante a qual visitou cidades como Madri e Barcelona, além das Ilhas Canárias. Ele destacou o entusiasmo e a felicidade dos espanhóis: “Foi algo maravilhoso”.

“Cada momento foi muito bem preparado. Também é preciso dizer que os bispos, juntamente com tantos leigos e voluntários, em todos os lugares, trabalharam para preparar tudo, e isso foi maravilhoso”, disse Leão XIV, em espanhol.

Questionado por um jornalista sobre o momento político vivido pela Espanha, o Papa afirmou que não pretendia “entrar na política espanhola, nem na de outros países”, mas ressaltou a importância do diálogo. “O convite é a nos escutarmos mutuamente, e não a criticar e insultar constantemente a oposição sem chegar a acordos em favor do bem comum.” Ele também reafirmou o apelo à “dignidade humana” e à dignidade “de cada pessoa”: “Espero que não se demore muito”.

Apelo pelos migrantes: “Tratar todos com respeito”

Na mesma linha, o Pontífice voltou a abordar a questão dos migrantes, tema tratado em diversas ocasiões durante a viagem, especialmente em Gran Canaria e Tenerife, após a entrada em vigor do Pacto da União Europeia sobre Migração e Asilo.

Leão XIV voltou a invocar o “respeito pela pessoa”: “Muitas vezes, nós não reconhecemos as razões pelas quais essas pessoas foram obrigadas a deixar os seus países. Há muitas razões: violência, guerra, conflitos. E, portanto, simplesmente dizer: ‘vamos mandá-los embora e, assim, lavamos as mãos do problema’ não me parece a resposta mais cristã. É preciso realmente respeitar as pessoas, analisar cada caso e, sobretudo, tratar as pessoas com respeito, como pessoas”.

Esperanças de paz

O Santo Padre também não se esquivou de uma pergunta sobre os trabalhos do G7, que reúne chefes de Estado e de governo em Evian, na França, nem sobre o acordo entre os Estados Unidos e o Irã, o chamado “Memorando de Islamabad”, fruto da mediação do Paquistão.

“Negociações, graças a Deus. Há pelo menos este Memorando, que será oficialmente assinado na sexta-feira, segundo estão dizendo”, comentou o Papa. “Ainda haverá diversos pontos a serem definidos, mas é sempre melhor fazer isso por meio do diálogo e da negociação do que voltar à guerra.”

O desejo, segundo ele, é que “seja realmente uma solução para a guerra, que a guerra de fato tenha acabado e que possamos seguir em frente para o bem de todos. Eliminar as armas nucleares, isso sim; buscar o bem de todos os povos; procurar resolver também os problemas em nível econômico e social que foram criados neste período”.

A dor pelas divisões na Igreja

O Pontífice também respondeu a uma pergunta sobre o caso da Fraternidade São Pio X, que, em 1º de julho, em Ecône, realizará quatro consagrações episcopais sem mandato pontifício, apesar da advertência da Santa Sé sobre o risco de um cisma.

A esse respeito, o Papa recordou os contatos do Dicastério para a Doutrina da Fé com a Fraternidade:

“Estamos considerando fazer ainda um novo apelo, dizendo: ‘Não façam isso. Procuremos viver a comunhão na Igreja’. Mas a escolha é deles. É preciso ter consciência do que isso significa para eles e para a Igreja. Certamente, a divisão entre os cristãos é sempre um ponto doloroso, mas eles se recusam a aceitar alguns elementos fundamentais da Igreja, começando por diversos pontos do Concílio Vaticano II. Se fizerem essa escolha, lamento, mas nós devemos seguir em frente”, concluiu Leão XIV.

Férias e futuras viagens

Por fim, uma pergunta mais pessoal: quando começará suas férias de verão e como pretende passá-las? “Um pouco de descanso, muita leitura, reflexão e preparação para o que virá depois. Sempre há trabalho também”, respondeu. Na sequência, o jornalista indagou: “Mas conseguirá descansar?”. E o Papa comentou: “Esperamos!”.

Sobre a possibilidade de viagens ao México e ao Peru, país onde foi missionário por mais de vinte anos, Leão XIV limitou-se a responder: “Veremos”.

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