CONFLITO NO ORIENTE MÉDIO

Vigário Apostólico do Norte da Arábia: vivemos um tempo de incerteza

Bispo Aldo Berardi ainda expressou sua gratidão pelos pedidos de paz do Papa Leão XIV enquanto as igrejas da Península Arábica permanecem de portas fechadas

Da redação, com Vatican News

Vídeo nas redes sociais mostra enorme bola de fogo após explosão perto da sede da TV estatal em Teerã / Foto: Reprodução Reuters

Falando de sua casa paroquial em Awali, Bahrein, o Bispo Aldo Berardi, Vigário Apostólico da Arábia do Norte, não esconde sua preocupação, visto que a guerra ultrapassou um novo limite na região.

Israel e os Estados Unidos realizaram bombardeios no Irã, e a República Islâmica respondeu lançando mísseis contra diversos países do Golfo, onde também se localizam bases militares americanas.

No sábado, 28, primeiro dia dos bombardeios, o Bispo Berardi enviou um comunicado a todos os sacerdotes e religiosos de sua região, que abrange quatro países da Península Arábica: Kuwait, Arábia Saudita, Bahrein e Catar.

O religioso enfatizou que este é “um momento de incerteza” e pediu a todos que se abriguem, permaneçam unidos em oração e sigam as instruções de segurança das autoridades locais. Após o Papa Leão XIV ter feito um apelo pela paz durante a oração do Angelus neste domingo, 1°, o Bispo Berardi falou ao Vatican News, na seguinte entrevista, sobre a situação no terreno.

Vatican News — Muitas cidades do Golfo foram atingidas por mísseis em retaliação. Qual é a situação atual no Bahrein e nos outros países da região?
Bispo Aldo Berardi — Há pouco tempo [por volta das 13h, horário de Roma], um míssil passou sobre a residência do bispo e os destroços foram interceptados pelo Bahrein; caíram perto da catedral. Houve um incêndio não muito longe do prédio. Isso nos abalou bastante, principalmente porque a catedral é nova. Houve lançamentos de mísseis desde ontem. Por isso, fechamos todas as igrejas para evitar problemas. Não são as igrejas em si que são alvos diretos, mas os destroços e as explosões podem danificar prédios e, sobretudo, ferir pessoas. A situação continua: os alarmes são constantes, e por isso todos permanecem em casa. Não saímos por motivos de segurança. A vida desacelerou de certa forma e nossas igrejas estão fechadas. Os padres celebram missa juntos à noite pela paz; foi isso que pedi em cada paróquia, que todos os padres celebrassem missa juntos pela paz. Isso está sendo feito por vídeo, para Manama e para o Kuwait. As pessoas pediram para participar, mas não queremos correr o risco. No Catar, por exemplo, a igreja foi fechada pela polícia; todo o complexo religioso foi isolado — ninguém entra, ninguém sai — e havia também destroços perto dos edifícios religiosos. Todos estão rezando e aguardando que a situação se acalme.

Vatican News — O Papa falou da responsabilidade moral dos líderes em deter a espiral de violência antes que ela se torne “um abismo irreparável”. Você sente esse perigo onde está?
Bispo Aldo Berardi — Sim, porque, como você sabe, nesta parte do mundo, as mágoas são profundas e seculares. Portanto, quando se acumula tanta violência, quando a dignidade e o respeito próprio dos povos são atingidos e quando os ataques são perpetrados com violência, a resposta é igualmente violenta. É claro que entramos num abismo e numa espiral sem fim, e não sabemos aonde isso pode nos levar. Há o risco de sermos arrastados para uma espiral de vingança e violência recíproca que pode nos consumir. Devemos rezar para que a paz seja restaurada e para que não sejamos arrastados por essa espiral. Se cada lado entrar na batalha por se sentir atacado, há o risco de toda a região explodir.

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