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Sábado, 21 de novembro de 2009, 11h24

Só a beleza pode devolver entusiasmo ao homem, diz Bento XVI


Da Redação, com Rádio Vaticano


Reuters
Bento XVI é acolhido pelos 250 artistas, de todo o mundo, na Capela Sistina, no Vaticano
"Vocês são guardiões da beleza", disse o Papa Bento XVI neste sábado, 21, ao se encontrar com 250 artistas de todo mundo na Capela Sistina, no Vaticano. Participaram pintores, escultores, arquitetos, atores, diretores, músicos e escritores. O Brasil foi representado pelo pianista Álvaro Siviero.

Bento XVI destacou que diante dos "fenônemos negativos" que tem marcado o mundo atualmente e provocado "o enfraquecimento da esperança por uma certa desconfiança nas relações humanas, razão por que crescem os sinais de resignação, de agressividade, de desespero", somente a beleza pode oferecer novamente "entusiasmo e confiança", "encorajar o espírito humano a reencontrar o caminho, a elevar o olhar sobre o horizonte, a sonhar uma vida digna da sua vocação".

Nesse contexto, o Santo Padre enfatizou que “uma função essencial da verdadeira beleza, já evidenciada por Platão, consiste em comunicar ao homem uma espécie de ‘choque’ que o faz sair de si mesmo, o arranca à resignação, ao acomodamento do cotidiano, o faz até mesmo sofrer, como um dardo que o fere, mas precisamente por isso o ‘desperta’, abrindo-lhe novamente os olhos do coração e da mente, dando-lhe asas, impulsionando-o em direção ao alto”.

E disse aos artistas: "graças ao seu talento, vocês têm a possibilidade de falar ao coração da humanidade, de tocar a sensibilidade individual e coletiva, de suscitar sonhos e esperanças, de ampliar os horizontes do conhecimento e do empenho humano. Sejam, por meio da arte, anunciadores e testemunhas de esperança para a humanidade".

"A arte é feita para turbar, enquanto a ciência conforta", falava Georges Braque. Todavia, acrescentou o Pontífice, a beleza hoje é passada como ilusória, superficial, que aprisiona o homem em si mesmo e o torna ainda mais escravo, sem esperança e alegria. Mas a beleza é o contrário de tudo isso, ela pode se tornar um caminho rumo ao Transcendente, pode assumir um valor religioso e transformar-se em um percurso de profunda reflexão interior e de espiritualidade. Prova disso são as inúmeras obras de arte, que comprovam a afinidade e a sintonia entre percurso de fé e itinerário artístico.

"O caminho da beleza nos conduz, portanto, a colher o Tudo no fragmento, o Infinito no finito, Deus na história da humanidade."

Bento XVI pediu aos artistas que não tenham medo de se confrontarem com a fonte primeira e última da beleza, de dialogarem com a Igreja: "A fé não infere em nada em seu gênio, em sua arte; pelo contrário, os exalta e os nutre".

Amizade da Igreja com os artistas

O encontro com os artistas aconteceu por ocasião dos dez anos da carta de João Paulo II aos artistas e dos 45 anos do histórico encontro de Paulo VI com o mundo da arte.

Bento XVI afirmou que, em continuidade aos seus predecessores, deseja expressar e renovar a amizade da Igreja com o mundo da arte, uma amizade consolidada no tempo: "Esta amizade deve ser continuamente promovida e alimentada, para que seja autêntica e fecunda, adequada aos tempos e que tenha presente as situações e as mudanças sociais e culturais. (...) A todos os artistas, o meu convite à amizade, ao diálogo e à colaboração".

"Nós necessitamos dos artistas", afirmou Bento XVI. O Santo Padre recordou que esse mesmo encontro, 45 anos atrás, também se realizou na Capela Sistina, "santuário de fé e de criatividade humana", "tesouro singular de memórias". E lembrou que sua eleição à Cátedra de Pedro se realizou ali, momento que viveu com "trepidação e absoluta confiança no Senhor".

Ressaltando as obras-primas que adornam a Capela Sistina, o Papa falou do 'Juízo Universal', de Michelângelo, que recorda que, de um lado, "a história da humanidade é movimento de ascensão e, de outro, coloca diante dos nossos olhos o perigo da queda definitiva do homem. O afresco, portanto, lança um forte grito profético contra o mal, contra qualquer forma de injustiça; mas, ao mesmo tempo, nos convida a percorrer com alegria, coragem e esperança o itinerário da vida.

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