DIÁLOGO INTER-RELIGIOSO

Que budistas e cristãos sejam testemunhas de uma "paz desarmante"

O cardeal Koovakad e o monsenhor Kodithuwakku Kankanamalage assinaram uma mensagem enviada à comunidade budista por ocasião da festa do Vesak

Da redação, com Vatican News

O cardeal Koovakad e o Papa Francico / Foto: Reprodução Youtube

O Dicastério para o Diálogo Inter-religioso enviou uma mensagem aos budistas do mundo inteiro, nesta segunda-feira, 11, por ocasião da festa do Vesak 2026 que comemora o nascimento, a iluminação e a morte de Buda.

“Um convite para renovar o caminho da sabedoria, da compaixão e da paz”, ressalta a mensagem intitulada “Budistas e cristãos por uma paz ‘desarmada e desarmante'”, assinada pelo prefeito do Dicastério para o Diálogo Inter-religioso, cardeal George Jacob. Koovakad, e pelo secretário do organismo, mons. Indunil Janakaratne Kodithuwakku Kankanamalage.

“A paz não é simplesmente a ausência de guerra, mas um dom que busca habitar o coração humano: uma presença silenciosa, porém poderosa, que ilumina e transforma”, ressalta a mensagem, destacando as palavras do Papa Leão XIV: “A paz existe, deseja habitar-nos, tem o poder suave de iluminar e alargar a inteligência, resiste à violência e a vence. A paz tem o sopro da eternidade: enquanto ao mal se ordena ‘basta! ‘, à paz se suplica ‘para sempre'”.

“Mesmo quando parece frágil — como uma chama ameaçada pelas tempestades do ódio e do medo — a paz deve ser protegida e cultivada. Esta é a paz para a qual somos chamados: uma paz desarmada e desarmante, que não se apoia na força, mas brota da verdade, da compaixão e da confiança recíproca”, ressalta ainda a mensagem do dicastério Vaticano.

O texto recorda que “em nossa época, porém, não podemos ignorar as sombras que pairam sobre o mundo. Guerras, violência, o crescente nacionalismo etnorreligioso e a instrumentalização da religião continuam ferindo nossa humanidade comum”.

“Num mundo que parece cada vez mais frágil e, por vezes, marcado por uma preocupante sensação de regressão, o apelo à paz torna-se ainda mais urgente. É aqui que nossas tradições espirituais podem oferecer uma contribuição vital”, continua a mensagem, lembrando que “a bondade é verdadeiramente desarmante: ela rompe o ciclo da suspeita e abre caminhos onde pareciam não haver. Em suas expressões mais autênticas, nossas tradições nos convidam a purificar nossos corações da hostilidade, a transcender fronteiras e a nos reconhecermos como membros de uma única família humana”.

A seguir, o texto do dicastério Vaticano recorda que nessa perspectiva, “os ensinamentos de Buda oferecem um caminho iluminador”. Buda ensina que “O ódio nunca é apaziguado pelo ódio; somente com a ausência de ódio o ódio é apaziguado. Esta é uma lei eterna”. E ainda: “Que ninguém engane o outro nem despreze nenhum ser… Que ninguém deseje o mal ao outro por raiva ou maldade”.

A mensagem recorda que “para os cristãos, Jesus chama seus discípulos a “amar seus inimigos e rezar por aqueles que os perseguem” e proclama: “Felizes os que promovem a paz”. Portanto, as duas “tradições convergem para indicar uma paz vivida — uma paz que desarma os corações antes de desarmar as mãos”.

De acordo com o texto, “esse caminho exige mais do que meras palavras; requer uma mudança de atitudes e um compromisso com ações concretas”. “Os líderes religiosos são chamados a serem parceiros autênticos no diálogo e verdadeiros artífices da reconciliação. Junto com todos os fiéis, somos convidados a nos tornar artífices da paz — não observadores passivos, mas testemunhas corajosas capazes de promover o encontro, curar feridas e reconstruir a confiança”, sublinha a mensagem.

A seguir, recorda que “como cidadãos e fiéis, compartilhamos a responsabilidade de promover a paz, combater a injustiça e instar aqueles que detêm o poder a não alimentarem divisões, mas a buscarem o diálogo em vez do conflito. Devemos também evitar a cumplicidade por meio do silêncio ou do medo. Portanto, toda comunidade é chamada a crescer como um lugar onde a hostilidade é superada através do encontro, onde a justiça é praticada e o perdão guardado como um tesouro”.

“Cultivar uma paz desarmada e desarmante significa também nutrir suas fontes mais profundas: a oração, a contemplação e a transformação interior. É uma paz vivida cotidianamente — nos gestos de bondade, na paciência, na rejeição do ódio e da vingança, e na coragem de ter esperança. Porque a paz não é uma ilusão ou um ideal distante; é uma possibilidade real, já ao nosso alcance, à espera de ser abraçada e compartilhada”, destaca a mensagem do Dicastério para o Diálogo Inter-religioso.

O texto se conclui, convidando a “renovar nossa esperança de que, por meio de nosso compromisso compartilhado, budistas e cristãos possam se tornar cada vez mais testemunhas dessa paz desarmante — uma paz que cura feridas, restaura as relações e abre novos horizontes para a humanidade”.

Evite nomes e testemunhos muito explícitos, pois o seu comentário pode ser visto por pessoas conhecidas.

↑ topo
Skip to content