Contemplação da Paixão de Cristo traz propósito à Quaresma
Na Quaresma, a Igreja convida os fiéis a mergulhar em uma das mais marcantes tradições da fé cristã: a Via-Sacra, caminho de contemplação e compromisso, que conduz os fiéis a acompanhar Jesus em sua Paixão e a renovar a própria fé.
Reportagem de Vanessa Anicio e Daniel Camargo
Silêncio, oração e passos que conduzem ao Calvário. Durante a quaresma, muitos fiéis redescobrem na Via-Sacra um caminho profundo de encontro com Cristo e de meditação sobre sua entrega por amor.
“Nós entramos no sofrimento de Jesus para entender aonde chegou o seu amor por nós. Quando rezamos a Via-Sacra, quando nós meditamos a Via-Sacra, nós entendemos isso. Onde Deus foi capaz de chegar por cada um de nós, por amor à humanidade”, declarou o salesiano de Dom Bosco, padre Ádano Islei Pinheiro.
A tradição tem raízes nos primeiros séculos do cristianismo, quando peregrinos desejavam refazer em Jerusalém o caminho percorrido por Jesus até o Calvário. A partir do século XVII, a meditação da Via Crucis, também conhecida como o caminho da cruz, se estruturou nas 14 estações e se consolidou na vida espiritual da Igreja.
A Via-Sacra é uma prática devocional que nos faz percorrer espiritualmente os últimos passos de Cristo, não como quem assiste de longe, mas como aquele que caminha junto. No total, são 14 estações que nos recordam a paixão do Senhor. Um caminho marcado pela dor, sobretudo pelo amor que se entregou até o fim.
“É o caminho de amor. O próprio nome diz, Via-Sacra, Caminho Santo. É esse caminho santo de amor que nos faz entender até onde chegou o amor de Deus por nós. Para que a gente possa viver bem a Via Sacra, é preciso que a gente faça de coração”, retomou o padre.
Em cada estação, uma cena. Jesus é condenado, carrega a cruz, cai, encontra sua mãe e é crucificado. Rezada especialmente às quartas e sextas-feiras da quaresma com subsídios preparados pela CNBB em sintonia com a campanha da fraternidade, a Via-Sacra é um convite a caminhar com Cristo e a compreender que nenhuma dor é inútil quando é vivida à luz da fé e da esperança na ressurreição.
“Quando nós meditamos a Via-Sacra com esse olhar da fé, nós não vemos só sofrimento, a gente vê uma entrega, a gente vê uma vitória onde Cristo na cruz, no altar da cruz, venceu a morte, venceu o mal e nos garantiu a vida eterna”, concluiu o padre.




