INCLUSÃO

Entregador supera desafios e cursa medicina na UFMG

Gabriel diagnosticado com autismo mostra que nada é impossível a quem se dispõe

Em 2007, a Organização das Nações Unidas instituiu o dia dois de abril como Dia Mundial de Conscientização do Autismo. O propósito da data é combater preconceitos e promover a inclusão de pessoas com Transtorno do Espectro Autista.

Reportagem de Vanessa Anicio e Vitor Ferreira

Aos 40 anos, Gabriel Passos vive a realização de um sonho que parecia distante.

Diagnosticado com autismo aos 38, ele superou a pobreza, a depressão e o preconceito para hoje estudar Medicina em uma das instituições mais conceituadas do país, a Universidade Federal de Minas Gerais. 

“E a psicóloga que me incentivou, falou: ‘Cara, você aprendeu a falar alemão sozinho, aprendeu a falar inglês sozinho. Tem publicação científica quando estudava Agronomia. Por que você acha que medicina não é para você? Medicina é para você’. Aí foi que eu comecei a correr atrás estudando sozinho em casa. Deu certo, graças a Deus”, contou o estudante de medicina, Gabriel Passos. 

Antes de chegar à universidade, Gabriel enfrentou diferentes jornadas de trabalho. Foi vendedor de caldos, técnico agrícola e, por último, ajudava a entregar as quentinhas preparadas pela própria mãe para complementar a renda da família.

Conciliar a rotina pesada de estudos com tantas responsabilidades exigiu de Gabriel força e resiliência. Até a aprovação foram três anos entre livros e muito trabalho. E nesse caminho, um apoio fez toda a diferença. “A família é o esteio da gente. E eu sou muito orgulhoso da minha família. Não seria nada sem eles. Eu não estaria aqui. Eu não seria esse homem, não teria esse caráter se não fosse a minha família”, afirmou ele. 

A descoberta do autismo veio tardiamente. Depois de crises de ansiedade. O diagnóstico trouxe respostas e, principalmente, um sentimento de alívio que Gabriel buscava há muitos anos. “Quando chega o diagnóstico de autismo, você começa a entender que você não é chato, você só é mais sensível com som, com luz. Você não é estranho, você só é autista. Então, foi um peso das costas que tirou”, ressaltou o estudante de medicina. 

Hoje Gabriel celebra cada conquista e acredita que sua história pode inspirar outros jovens autistas a não desistirem dos próprios sonhos. “Eu creio que eu tô num lugar que eu deveria estar. Eu acho assim, eu acho não, tenho certeza que o autista dentro de qualquer profissão e principalmente a Medicina, ele tem uma sensibilidade capaz de fazer as coisas acontecerem de uma maneira que as pessoas não imaginam, de ir muito além”, completou Gabriel.

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