Confira Igreja barroca de Santo Antônio que possui trabalho de Aleijadinho
Tiradentes, assim como toda a Igreja, prepara-se para viver o Tríduo Pascal. Em terras mineiras, essa tradição já acontece há mais de três séculos. Zelo e espiritualidade do povo tiradentino traduzido em um grande louvor a Deus.
Reportagem de Emerson Tersigni e Messias Junqueira
De frente para a Serra de São José, sob uma das colinas da histórica Tiradentes, lá está ela, a matriz de Santo Antônio.
“É sabido que em 1702, quando chegaram os primeiros bandeirantes aqui em Tiradentes, foi criada uma capela primitiva de Santo Antônio. E a partir de 1710, segundo a tradição, a Matriz de Santo Antônio começou a ser construída. O primeiro registro da Paróquia de Tiradentes de Santo Antônio é de 1724, com a carta magna, que fala sobre as vinte primeiras paróquias de Minas Gerais”, contou Henrique Rohrmann, um dos responsáveis pelo Museu da Liturgia de Tiradentes.
É impossível não mergulhar na beleza dessa riqueza arquitetônica, uma das mais antigas da diocese de São João Del-Rei. Entre tantos detalhes, destaca-se o forro da nave da Igreja, com 18 quadros que trazem símbolos bíblicos.
O assoalho, por sua vez, está repleto de campas numeradas de 1 a 117. Na prática, isso significa que no tempo do império houve ali sepulturas subterrâneas, onde repousaram pessoas de diferentes origens, dos escravos aos nobres.
Esse importante monumento do Brasil colonial, herança artística inestimável, deixada por Aleijadinho, conta com o cuidado de muitas mãos e o prestígio de inúmeros visitantes. “Acho que quando a gente caminha em Tiradentes, em outras cidades históricas, a gente fica pensando quanta coisa se passou assim, quanto quantas mãos, tiveram ali para construir aquilo ali é algo muito bacana. Na verdade, é a minha segunda vez. Eu vim com a escola uma vez e relembrar esses momentos foi bem bacana assim”, disse Arminda Maira, peregrina de Ipatinga (MG).
“Ipatinga não tem essa arquitetura, não tem essa riqueza de detalhes ali. É muito diferente das igrejas que a gente é acostumado a participar e é muito lindo, tudo muito bonito mesmo”, falou o peregrino de Ipatinga(MG), Delfino Júnior.
A Semana Santa em Tiradentes não se restringe a um tempo de tradições culturais. O fato de serem preservadas as cerimônias religiosas do século XVII significa na prática o cuidado da Igreja para com a experiência dos fiéis. E a música tem parte essencial neste processo. “Cantar a liturgia da nossa Santa Igreja Católica exige muito do nosso grupo e de forma geral de todos os outros, pois nós temos que seguir corretamente as orientações litúrgicas de todos os cantos para que tudo fique feito da melhor forma possível. A nossa música sacra mineira, composta nos séculos 18, 19 e 20 se torna singular nessas cerimônias da Quaresma Semana Santa”, confirmou o maestro da Orquestra e Banda Ramalho, Willer Silveira.
Lugar sagrado, responsável por unir fé, corações e tradição, e que se prepara pela vez de número 316 para celebrar o Tríduo do Senhor, crucificado, sepultado e ressuscitado. “Nós falamos daquilo que nossos antepassados vivenciaram, nos deixaram como herança na fé, trazendo para a atualidade. O Evangelho se adequa às culturas, ao tempo. Sempre ajudando-nos a termos uma atualização na nossa vida de fé. Porque Cristo é sempre ontem, hoje sempre. Então ele está sempre conosco”, completou o pároco da Matriz Santo Antônio de Tiradentes (MG), padre Álisson Nascimento.




