Entenda a missão dos bispos eméritos após a renúncia
O Código de Direito Canônico determina que, aos 75 anos, os bispos renunciem ao governo pastoral de suas dioceses. O que não acaba, no entanto, é a responsabilidade com a missão evangelizadora, a partir da cooperação pastoral. Nossa equipe foi até o sul do Rio de Janeiro para conversar com um bispo emérito – ou seja, sem responsabilidade administrativa, mas com vínculo espiritual diocesano.
Reportagem de Emerson Tersigni e Genilson Pacetti
É pela emeritude que os bispos com mais de 75 anos ou com renúncia aceita se reinventam no serviço à igreja. Um novo modo de amar pelo ministério é o caso da diocese de Barra do Piraí e Volta Redonda. “Entendemos que a missão que nos é confiada por Jesus Cristo, ela vai muito além de cargos de ofícios. Então, dois bispos eméritos que já tendo deixado seus ofícios, continuam com a sua presença na diocese, mostrando isso.
Nós estamos aqui agora rezando, colaborando de outro modo, mas nem por isso abandonando a missão”, comentou o chanceler da Cúria, padre Daniel Cezar de Faria.
Padre César foi enviado ao seminário durante o bispado de Dom Francisco Biasin, 82 anos de uma vida doada ao reino de Deus. Ele veio ao Brasil como padre missionário e, diferente da maioria dos casos, permaneceu mais tempo que o habitual.
“Bispo de Pádua nunca me chamou de volta. Eu nunca pedi para voltar. Mas quando eu tinha 50 anos, ele me chamou de volta para animar a diocese de Pádua com o espírito missionário, com toda uma dimensão, que é até de testemunho pessoal. E eu voltei para lá, voltei em fevereiro e em julho chegou a minha nomeação para ser bispo de pesqueira”, lembrou o bispo emérito de Barra do Piraí, Volta Redonda(RJ), Dom Francisco Biasin.
Após a experiência no Nordeste, Dom Francisco Biasin foi nomeado bispo no Sul Fluminense. Em Volta Redonda, exerceu ministério Episcopal por quase 8 anos até iniciar sua caminhada como emérito. “Eu me acrescentei uma paróquia de quase 40.000 habitantes na periferia de Rezende e continuei a fazer o padre, aquilo que faz o padre. Celebro a missa, atendo as confissões”, retomou ele.
Dom Biasin é presidente da Comissão Especial para os Bispos Eméritos. Atualmente este número é de 171 e cabe a esta comissão acompanhá-los, bem como ser o elo de comunicação com a CNBB.
“E o Papa Francisco era de uma espontaneidade única. Ele disse: ‘Eu agradeço o senhor porque mandou um bispo novo como meu sucessor’. Ele: ‘Mas quantos anos você tem?’ Eu falei, ‘76, porque você fica quase um ano a mais’. ‘O senhor parece ter 65’. Eu falei: ‘Bem, muito obrigado pela sua bondade’.Falei: ‘Mas a matemática não falha’ E o senhor não sabe o que me aconteceu, porque ele tirava uma espontânea. Isso o que aconteceu? Que me nomearam responsável pela comissão especial dos bispos eméritos. Acabei de fechar a boca. ‘Faça-os trabalhar, assim, faça-os trabalhar. Eles têm que trabalhar porque são formados. Quem tem saúde pode ser útil. Aí eles se sentem realizados, o povo gosta”, completou Dom Biasin.
Quem se recorda com gratidão do tempo de Dom Biasin é Clemilde. Sua vocação para assistência social, inclusive, nasceu a partir dos trabalhos pastorais. “Eles têm uma uma história e a gente nunca deve desfazer dessa história. E através desses momentos é que nos fortalece, nos encoraja, porque eles ainda dão ainda continuidade numa vida pastoral, uma vida de presença, de oração”, concluiu a assistente social, Clemilde da Costa.
Assim caminha a Igreja no Brasil, em suas 47 províncias eclesiásticas e com seus quase 500 bispos. Os pastores seguem comprometidos com a evangelização e a doação de suas vidas para o anúncio do ressuscitado.




