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Dia do Nascituro

Nascituro não é uma "coisa", mas um ser humano, defende padre

Assessor da Comissão para a Vida e a Família da CNBB comenta Dia do Nascituro, celebrado nesta sexta-feira, 8, e fim da Semana da Vida 2021

Julia Beck
Da redação, com colaboração de Denise Claro

Foto: Jonathan Borba via Unsplash

“Um dia especial em homenagem ao novo ser humano, à criança que ainda vive no útero da mãe, mas que tem o direito à proteção, à vida e à saúde, à alimentação, ao respeito, a um nascimento sadio e a ser amado.”

Com essas palavras, o assessor da Comissão Episcopal Pastoral para a Vida e a Família da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), padre Crispim Guimarães, define o Dia do Nascituro, celebrado nesta sexta-feira, 8.

Ainda segundo o sacerdote, a instituição da data visa recordar que muitos são os riscos que as crianças não nascidas correm. O presbítero alerta que nem sempre são proporcionados a essas crianças os devidos cuidados.

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“Justamente no útero da mãe esse novo ser humano deveria estar mais seguro e não ameaçado, muitas vezes através do ato criminoso do aborto”, aponta.

Celebrar o Dia do Nascituro, explica o padre Crispim, implica conscientizar de que o ser que está no útero não é uma “coisa”, mas um ser humano, com todas as potencialidades de se desenvolver.

Em consonância com essa conscientização, procura-se despertar, nos ambientes sociais diversos e na esfera política, reflexões que aprofundem uma antropologia “Personalista Integral”, que não fragmenta o ser humano, mas que o veja como “um todo”, revela o sacerdote.

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Fim da Semana da Vida: como começou essa iniciativa

O Dia do Nascituro é marcado também pela conclusão da Semana Nacional da Vida. O período foi iniciado na última sexta-feira, 1º, e sua realização é antiga. Faz parte da dinâmica de defesa da vida e começou a ser celebrado bem antes da sua oficialização pela CNBB em 2005. Há registros de reflexões, campanhas, encontros e mobilizações desde a década de 1980.

“Na carta encíclica Evangeliium Vitae, São João Paulo II propôs que se celebrasse anualmente um Dia em defesa da Vida nas diversas nações”, relata.

Padre Crispim explica que o objetivo principal do apelo do Pontífice é de “suscitar nas consciências, nas famílias, na Igreja e na sociedade o reconhecimento do sentido e o valor da vida humana em todos os seus momentos e condições”.

São João Paulo II, observa ainda o presbítero, sugeriu que o Dia em defesa da Vida fosse concentrado de modo especial na gravidade do aborto e da eutanásia.

Desse modo, o assessor da Comissão para a Vida e a Família da CNBB afirma que nasceu a promoção da Semana Nacional da Vida. Ela é como um “espaço” celebrativo da vida no âmbito da Família, Igreja Doméstica; da Igreja Comunidade, família de famílias e da Sociedade, Casa Comum.

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Subsídio que gera reflexão

Para a vivência desta semana, foi proposto um subsídio e atividades para que os cristãos e as pessoas de boa vontade celebrassem e se manifestassem dentro e fora da Igreja, refletindo e agindo para que a vida seja defendida, promovida e cuidada, conta o sacerdote.

“A Semana Nacional da Vida é oportunidade para os católicos celebrarem através da oração, da escuta da Palavra e da solidariedade para com os mais vulneráveis”, frisa.

Neste ano de 2021, padre Crispim afirma que a Comissão Vida e Família e a Comissão Especial de Bioética da CNBB oferecerem dois materiais, um para a celebração em geral, como se faz todos os anos, desde de 2011, o subsídio Hora da Vida, e outro material de estudo e reflexão.

Este último, oferecido aos bispos, padres e lideranças da Pastoral Familiar, foi um material mais voltado para aprofundar os temas e para servir de subsídio nas reflexões das atividades da Semana Nacional da Vida.

Mobilizar, Celebrar e Rezar

As atividades da Semana Nacional da Vida 2021 refletiram sobre três verbos: Mobilizar, Celebrar e Rezar.

Sobre o primeiro verbo, mobilizar, o presbítero conta que a proposta foi de fomentar entre os bispos e os padres os conceitos que seriam trabalhados na Semana da Vida, bem como nas comunidades e no meio laical. “Também motivamos o envolvimento da sociedade”, conta.

Celebrar, o segundo verbo, consistiu na utilização do subsídio Hora da Vida como base nas celebrações. “Onde e como celebrar?  Com criatividade, adequando à sua realidade, por exemplo na praça, na catedral, nas redes sociais, nas paroquias, na sua rua.”

Já o terceiro verbo, rezar, incentivou as pessoas a rezarem em família (Igreja Doméstica) e em comunidade (famílias de famílias).

Reflexões sobre ameaças à vida

Alguns questionamentos foram propostos ao clero e aos fiéis. Entre eles estão os seguintes: “Na minha Família: Há alguma vida fragilizada na minha família, que precise de ajuda? Como posso ajudar? Na minha comunidade, há alguém vulnerabilizado? Alguém passando fome ou está doente? Precisando de uma visita? Algum idoso abandonado?”.

As seguintes perguntas também foram sugeridas para reflexão: “Na minha cidade, há vidas excluídas que precisam de atenção e apoio? Há grupos precisando de uma política pública? Como nós cristãos podemos ajudar? Como faremos com que eles encontrem Jesus Cristo?”

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Segundo o sacerdote, ao ouvir sobre o Nascituro, automaticamente homens e mulheres pensam na ameaça do aborto. Porém, o presbítero alerta para o fato de que a ameaça à vida se estende durante o período da existência, para além do aborto.

“As crianças são ameaçadas pela fome, pelo não acesso à escola, pela violência familiar; o são igualmente os jovens, sendo que os jovens pobres e negros são em maior número assassinados, são vítimas das drogas, têm maior propensão ao suicídio, que também acomete os adultos”, reflete.

Nas famílias, padre Crispim explica há a ameaça pelo desemprego, pela saúde deficitária, pelo tráfico. Os idosos, prossegue, sofrem o desprezo familiar e da sociedade, são descartados como massa sobrante. Há também os perigos da eutanásia, da eugenia social, sublinha.

Família Santuário da Vida

A Semana Nacional da Vida de 2021 apresenta o tema “Família, Santuário da Vida”. A proposta para a reflexão sobre esse tema ressalta o assessor da Comissão para a Vida e a Família da CNBB, surgiu também a partir de alguns questionamentos. Foram eles:

“Será que essa afirmação é verdadeira? As famílias em geral se comportam como santuário, lugar sagrado onde impera o cuidado, o aconchego, o respeito, o amor de uns para com os outros?”.

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O presbítero destaca que Dra. Maria Inês de Castro Millen, da Comissão de Bioética da CNBB, ofereceu uma observação quanto a esses questionamentos:

“Somos obrigados, hoje, a dizer que muitas realidades familiares dolorosas nos fazem duvidar dessa declaração e reconhecer que tal afirmativa é um ideal que deve ser proposto e desejado, mas que ainda está longe de ser alcançado.”

Para o sacerdote, é inegável que há uma fragmentação da visão de pessoa. Por isso, a Igreja oferece, na Semana da Vida, a oportunidade para as famílias conhecerem a voz e o Magistério da Igreja. 

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