Padre Alexandre Pinheiro explica sentido da Solenidade da Ascensão do Senhor e frisa esperança na vida eterna e impulso à evangelização
Gabriel Fontana
Da Redação

Ascensão (recorte). Benjamin West, óleo sobre tela, 1801.
Aproximando-se do fim do Tempo Pascal, a Igreja celebra neste domingo, 17, a Solenidade da Ascensão do Senhor. Ao recordar o momento em que Jesus se despede dos apóstolos e sobe aos céus, essa data marca o ingresso da natureza humana na glória eterna de Deus.
Doutor em Teologia Sistemática, padre Alexandre Pinheiro explica que essa solenidade é celebrada 40 dias após a Páscoa, assim como narrado nos Atos dos Apóstolos (At 1,9-11). Contudo, em diversos países (inclusive o Brasil), a celebração é transferida para o domingo seguinte a fim de favorecer a participação dos fiéis.
O Catecismo da Igreja Católica (CIC) pontua que a Ascensão do Senhor marca “a entrada irreversível de sua humanidade na glória divina” (CIC 659). Desta forma, explica padre Alexandre, Cristo conclui sua missão terrena, reina glorioso à direita do Pai e abre o céu para a humanidade redimida pelo seu sacrifício.
“Jesus sobe ao céu não apenas como Deus, mas como Deus feito homem”, prossegue o sacerdote. “Isso revela profundamente o plano de salvação de Deus para a humanidade. O homem não foi criado apenas para esta vida passageira, mas para participar da vida eterna com Deus”, acrescenta.
“Nosso destino final é o céu”

Padre Alexandre Pinheiro / Foto: Arquivo pessoal
Na Ascensão, Jesus cumpre a promessa feita aos apóstolos quando disse que prepararia um lugar na casa do Pai para eles, para depois voltar e enfim levá-los consigo (Jo 14,1-3). “Ao subir aos céus, ele inaugura esse acesso definitivo à vida eterna. O céu deixa de ser uma realidade distante e torna-se uma promessa concreta aberta por Cristo”, frisa padre Alexandre.
“A Igreja ensina que esse acontecimento não representa um afastamento de Cristo da humanidade”, continua o sacerdote. “Cristo não sobe para afastar-se de nós, mas para que nós possamos um dia estar onde ele está. A Ascensão transforma a esperança cristã em certeza: existe um lugar preparado por Deus para Seus filhos”.
Tais realidades exortam os homens a buscarem a santidade, permanecendo unidos a Cristo. “A Ascensão mostra que nosso destino final é o céu. Onde entrou a Cabeça, que é Cristo, esperam entrar também os membros do seu Corpo, que é a Igreja”, aponta padre Alexandre, que recorda a exortação feita por São Paulo: “buscai as coisas do alto” (Cl 3,1).
Impulso à evangelização na espera do Senhor
Se Cristo sobe aos céus para atrair os homens para o alto e recordar que a verdadeira pátria está em Deus, esse também é um impulso à evangelização. “A liturgia desta solenidade nos convida a viver com os olhos voltados para o céu, sem abandonar a missão na terra”, sublinha.
Antes de ascender, Jesus envia os discípulos a evangelizar o mundo inteiro e promete a força do Espírito Santo. “Portanto, a esperança do céu não nos afasta da realidade, mas nos impulsiona à santidade, à perseverança e à missão”, observa o presbítero.
Além disso, a Ascensão está intimamente ligada à segunda vinda de Cristo. Os anjos anunciam aos apóstolos: “Esse Jesus, que vos foi levado para o céu, virá do mesmo modo como o vistes partir” (At 1,11). A Igreja vive, então, na esperança da volta gloriosa de Cristo, quando o Reino será plenamente consumado.
Neste contexto, o sacerdote recorda a canção “Que Santidade de Vida”, composta pelo Padre Jonas Abib. Nela, o fundador da Comunidade Canção Nova canta: “Somos, Senhor, Tua Igreja, que aguarda e apressa Tua vinda gloriosa. Que o Senhor nos encontre em paz, puros e santos”.




