Irmão Afonso Murad explica que realeza de Maria se manifesta na humildade, no serviço e na missão de conduzir seus filhos a Jesus
Julia Beck
Da Redação

Pintura de Nossa Senhora Rainha /Imagem: Domínio Público
A memória de Santa Maria Rainha – título que expressa a missão singular da Mãe de Deus na história da salvação – é celebrada pela Igreja neste sábado, 22. Longe de indicar poder ou domínio, a realeza de Maria está ligada à de Cristo e se manifesta no serviço, na maternidade e na proximidade com aqueles que recorrem à sua intercessão.
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Segundo o teólogo e membro da Academia Marial, Irmão Afonso Murad, o título de Rainha não aparece diretamente nas Sagradas Escrituras. No Novo Testamento, Jesus é apresentado como Rei e como aquele que inaugura o Reino de Deus, marcado pelo perdão, pela bondade e pela acolhida dos pobres e pecadores. “Jesus é aquele que traz o Reino de Deus e Ele mesmo é o Reino de Deus acontecendo”, explica.
Rainha que se reconhece serva
Nos Evangelhos, Maria não se apresenta como rainha. Ao contrário, diante do anúncio do anjo, ela se reconhece como “a serva do Senhor” (Lc 1,38). Para Irmão Murad, justamente nessa atitude está uma das chaves para compreender sua realeza: “É uma realeza do serviço e da bondade. É dependente da realeza de Jesus e não o contrário.
Maria participa da realeza de Cristo porque é sua mãe, discípula e aquela que acolheu plenamente a ação de Deus. Por isso, o religioso reforça que toda verdadeira devoção mariana conduz a Jesus.
Uma devoção construída ao longo dos séculos
A compreensão de Maria como Rainha foi se desenvolvendo ao longo da tradição da Igreja. Segundo Irmão Murad, à medida que o cristianismo se inseriu na cultura do Império Romano, a imagem de Maria coroada foi ganhando espaço.
No século XI, surgiu a oração Salve Rainha, que já apresenta Maria como “Mãe de misericórdia”. Posteriormente, a tradição passou a contemplar sua coroação entre os mistérios do Rosário.
O título ganhou uma celebração litúrgica própria em 1954, quando o Papa Pio XII instituiu a festa por meio da encíclica Ad Caeli Reginam. Inicialmente celebrada em 31 de maio, a memória foi transferida, após a reforma litúrgica do Concílio Vaticano II, para 22 de agosto, oito dias depois da Solenidade da Assunção de Nossa Senhora.
Para o teólogo, essa proximidade entre as duas celebrações é significativa: a realeza de Maria está ligada à sua participação na glória de Cristo. “É uma extensão da glória que é dada a Maria, que está já junto de Jesus”, explica.
Mãe que acolhe e intercede
Mais do que destacar o título de Rainha, a espiritualidade católica reconhece Maria como Mãe na fé, aquela que acompanha os discípulos e intercede por seus filhos. “Maria é nossa mãe na fé e por isso podemos recorrer a ela. Pedir, agradecer”, afirma Irmão Murad.
Irmão Afonso indica que essa maternidade explica também a confiança de tantos fiéis que recorrem a Nossa Senhora nos momentos de dor, necessidade e alegria. “Ela acolhe, consola, fortalece e conduz os filhos ao encontro com Cristo”.
O teólogo recorda a figura bíblica da rainha Ester, que, diante do rei, pediu pela própria vida e pela vida de seu povo. “Maria quer a vida plena, espiritual, material, humana, psicológica, integral, de todos os seus filhos”, afirma.
Dizer “sim” a Deus
A devoção a Maria Rainha conduz a uma pergunta concreta: como permitir que Nossa Senhora reine na própria vida? A resposta passa pelo caminho percorrido pela própria Virgem: escutar a Palavra de Deus, confiar, colocar-se a serviço e permanecer junto de Jesus.
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“Vejam bem, o centro da nossa fé é Jesus, não Maria”, ressalta Irmão Murad. Por isso, quanto mais autêntica é a devoção mariana, mais ela conduz o fiel ao Filho. Deixar Maria reinar, reflete o religioso, é aprender com ela a dizer “sim” a Deus, servir, acolher quem sofre e permanecer fiel a Cristo nas dificuldades.
“Podemos então recorrer a Maria com toda a alegria e simplicidade, porque ela é nossa mãe e compreende as nossas dores e nos quer alegres no seguimento de Jesus”, conclui.

