NOVO CAPÍTULO

Igreja reforça diálogo inter-religioso e aumenta apelo de construção da paz

Vaticano retoma a Declaração Nostra Aetate e reforça valorização do diálogo e respeito com outras religiões

Há 60 anos, a Igreja Católica abriu um novo capítulo no diálogo com judeus e fiéis de outras religiões, com a Declaração Nostra Aetate. Agora, três Dicastérios do Vaticano retomam esse caminho com um apelo à liberdade religiosa, à fraternidade e à construção da paz.

Reportagem de Adilson Sabará
Imagens de Vatican News

Um passo decisivo no diálogo com judeus e fiéis de outras religiões. Há 60 anos, a Igreja Católica publicou a Declaração Nostra Aetate, que se tornou referência na defesa do respeito da liberdade religiosa e da convivência entre diferentes tradições.

Quando esteve em Abu Dhabi, o Papa Francisco lembrou a todos que não podemos honrar a Deus como criador sem valorizarmos a sacralidade de todas as pessoas, de toda a vida humana.

Hoje, três departamentos do Vaticano retomam a Declaração Nostra Aetate com o documento Um Caminho de Esperança, aprovada pelo Papa Leão XIV. A nota alerta para o crescimento das divisões, do fundamentalismo, da perseguição religiosa e do uso do nome de Deus para justificar a violência.

A proposta é renovar o diálogo sem abrir mão da identidade de cada tradição religiosa. O Vaticano defende que respeito, liberdade religiosa e abertura ao outro são caminhos concretos para enfrentar um mundo marcado por guerras e intolerância.

A nota reafirma também a importância da relação entre cristãos, judeus e fiéis de outras religiões e chama cada um à busca comum contra o antissemitismo. Ao mesmo tempo, rejeita manifestações de islamofobia e lembra os frutos de seis décadas de diálogo com muçulmanos e outras religiões.

De acordo com o Papa Leão XIV, esta jornada da Nostra Aetate nos leva a sermos construtores de pontes, não de muros, mas artesãos da paz e da fraternidade. “Para a Igreja, o diálogo não é estratégia, nem renúncia à fé. É uma jornada que exige humildade, coragem, disposição para reconhecer no outro alguém criado à imagem de Deus. Um chamado para transformar diferenças em oportunidades de encontro e construir uma sociedade mais justa e humana”, concluiu o Santo Padre.

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