Dedicado à caridade do Papa nos últimos 13 anos, Cardeal Krajewski foi nomeado arcebispo de Łódź, na Polônia, retornando, assim, à sua cidade natal
Da Redação, com Vatican News

O Cardeal Konrad Krajewski / Foto: Reprodução Youtube Vatican News
O Cardeal Konrad Krajewski, esmoleiro do Papa nos últimos 13 anos, foi nomeado pelo Papa Leão XIV para uma nova missão: arcebispo de Łódź, sua cidade natal na Polônia. Com alegria e pronto para “voltar para casa” após 28 anos no Vaticano, o cardeal fez um balanço desses anos de serviço e expressou seu agradecimento aos pobres: “Tenho que agradecer a todos eles. Eles me ensinaram a ler o Evangelho, a vivê-lo de uma maneira nova”, disse, emocionado.
Em 1999, já sacerdote, Krajewski tornou-se mestre de cerimônias papal ao lado de São João Paulo II, também polonês. Seguiu seu serviço no pontificado de Bento XVI e no de Francisco, que o nomeou esmoleiro de Sua Santidade em 3 de agosto de 2013 e o criou cardeal em 28 de junho de 2018. Uma longa missão pela qual ele diz que tem muito a agradecer.
“Vinte e oito anos de serviço com quatro Papas”, relata o cardeal. “Estive ao lado de João Paulo II durante os últimos sete anos de sua vida, quando ele estava doente. Depois veio o pontificado de Bento XVI, o do Papa Francisco e os dez meses do Papa Leão XIV. Vivi experiências diferentes porque cada Pontífice trouxe algo novo para a Igreja, cada um com uma ênfase diferente.”, relata.
Segundo o cardeal Krajewski, Leão XIV lhe perguntou gentilmente se ele gostaria de ir para a Polônia, se queria levar toda a experiência adquirido na Igreja universal para uma Igreja local. “Aceitei com prazer, porque o bem da Igreja nasce da proximidade aos fiéis. Minha diocese é grande, com dois milhões e meio de habitantes, e estou pronto para servir.” “Nunca saí da Polônia”, admite, “sempre permaneci entre o povo, e até sentia um pouco de saudade.”
As palavras de Francisco sobre sua missão
“Quando acompanhei o Papa Francisco ao Rio de Janeiro para a Jornada Mundial da Juventude, passei duas das 13 horas de voo ouvindo-o. Ele me explicou o que eu tinha que fazer como esmoleiro, pedindo-me que dormisse com os pobres, que saísse do Vaticano, que sempre terminasse o dia com a conta zerada, porque tudo era destinado a obras de caridade.”, conta o cardeal.
Ele também recorda uma fala do Papa que lhe marcou: “Há uma coisa que sempre me acompanhou, algo que Francisco me disse: ‘Se você não sabe o que fazer, pergunte sempre ao Senhor e pergunte o que Ele faria em seu lugar.'” “Eu também cometi muitos erros”, confessa o cardeal, “mas fiz isso de boa fé, e o Papa sempre entendeu e me perdoou.”
As missões na Ucrânia
Entre as experiências vividas como esmoleiro pontifício, estão as missões na Ucrânia em tempos de guerra nos últimos anos. O cardeal mencionou suas dez missões ao país para ajudar, em nome do Papa, a população devastada pela guerra.
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Ele também menciona os tiros que o atingiram em 2022 sem que ele sofresse nenhum ferimento. Também se lembra de ter levado pessoalmente à Ucrânia oito ambulâncias ou veículos equipados para atendimento de emergência. Ele se lembra dos rostos sofridos dos parentes daqueles que vivem em Gaza, que ele conheceu durante sua viagem à Terra Santa no Natal de 2023.
O pronto socorro da caridade
Por várias vezes, Krajewski definiu a Esmolaria Apostólica como “o pronto socorro da caridade”. Nos últimos 13 anos, o organismo deu origem a várias realidades de ajuda e apoio aos mais vulneráveis, a pedido do Papa Francisco.
Em fevereiro de 2015, chuveiros foram inaugurados sob a Colunata de São Pedro, com muitos voluntários que se colocaram à disposição para dar continuidade a esse serviço, criado para dar dignidade aos pobres, livrando-os do estigma e do mau cheiro das ruas. Diariamente, cerca de 150 pessoas utilizam os chuveiros.
Uma barbearia e o ambulatório “Mãe da Misericórdia” também foram inaugurados ao lado, unindo-se recentemente ao ambulatório “São Martinho”, que o Papa Leão XIV visitou em 14 de novembro passado. As duas unidades, com uma equipe de 120 médicos, enfermeiros, técnicos de saúde, farmacêuticos e voluntários, oferecem consultas médicas especializadas, atendimento odontológico e exames laboratoriais, além de acesso gratuito a medicamentos e terapias necessárias.
A assistência aos pobres é prestada em diversos dormitórios abertos nos arredores da Basílica de São Pedro. O primeiro deles fica na Via dei Penitenzieri, o “Dom da Misericórdia”, um prédio oferecido pelos jesuítas e inaugurado em outubro de 2015. Abriga cerca de 30 homens e é administrado pelas Irmãs de Madre Teresa. Ao lado está o “Dom de Maria”, um dormitório feminino com cerca de 50 leitos.
Em 2019, a Esmolaria Apostólica encarregou a Comunidade de Santo Egídio para administrar o Palazzo Migliori, um prédio histórico do século XIX transformado em abrigo para moradores de rua, idosos e pessoas com deficiência. Paralelamente a tudo isso, há o pagamento de contas e o apoio a famílias carentes — um trabalho longo, silencioso e providencial.