Acompanhamento da família e profissionais da saúde trazem esperança para tratamentos
A demência afeta milhões de pessoas no mundo e vai além do paciente, alcançando toda a família. Informação e acolhimento são essenciais para enfrentar os desafios desse diagnóstico.
Reportagem de Vanessa Anicio e Daniel Camargo
Uma notícia que chegou de forma inesperada e mudou a rotina de toda a família. “No momento em que a gente passa a dar banho, a trocar uma fralda, a sentir que ele está perdido, isso é muito difícil. Então, a perda constante, esse luto permanente é o que mais dói na gente”, afirmou a jornalista e escritora, Carine Tavares.
Há 10 anos, o pai de Karine foi diagnosticado com demência subcortical isquêmica. No Brasil, segundo estimativas do Ministério da Saúde, mais de 2 milhões de pessoas, com 60 anos ou mais convivem com algum tipo de demência, o que corresponde a cerca de 8,5% da população idosa do país.
“Demência é uma síndrome onde você tem perda cognitiva, que as pessoas associam só memória, mas cognição vai bem além da memória. Nós temos alterações de função executiva, nós temos alterações de linguagem que podem comprometer a cognição”, contou a geriatra, Simone Lima.
Com o envelhecimento da população, as projeções indicam que até 2050 esse número poderá alcançar 5,6 milhões de brasileiros, o que reforça a importância do diagnóstico e da informação.
Apesar de não ter cura, o diagnóstico precoce e o acompanhamento médico adequado fazem toda a diferença. Com o tratamento certo e o apoio da família, é possível garantir mais qualidade de vida e conforto para o paciente.
“Quando eu tenho um diagnóstico, eu consigo preparar e informar tanto o paciente quanto a família como que vai ser a progressão desse quadro e como a família vai precisar se preparar para estar ajudando esse paciente. “Eu vou me adaptar, adaptar minha casa, não vou adaptar minha casa? Como vai ser essa relação com esse paciente? Como é que eu vou me preparar financeiramente para poder fazer esse cuidado da melhor forma possível?”, destacou a especialista.
E foi nesse processo de descobertas e desafios que surgiu no coração da Karine o desejo de partilhar a experiência com o pai. Escritos que nasceram da dor e do amor hoje podem ajudar outras famílias a compreenderem a doença e a enfrentarem esse caminho com mais informação e acolhimento.
“Na medida em que eu fui colocando no papel, eu fui fazendo uma digestão de tudo que a gente viveu com meu pai e eu fui entendendo que o que a gente viveu poderia sim ajudar outras pessoas. E foi assim que surgiu ‘Eu sei quem ele é’, que é o livro que conta a história do meu pai e os 10 anos de diagnóstico da demência dele. Eu acho que uma boa orientação ajuda muito as famílias a seguir com o diagnóstico, aceitando, fazendo o melhor, num momento de de tratamento paliativo, mas aproveitando aquele familiar no que é possível enquanto ele ainda tem essas habilidades”, expressou Carine.