Assessor da Comissão para a Liturgia da CNBB comenta último documento abordado pelo Papa Leão XIV em seu ciclo de catequeses dedicado ao Concílio Vaticano II
Gabriel Fontana
Da Redação

Foto: Canva
Interrompido pela pausa de verão do Papa Leão XIV, o ciclo de catequeses do Pontífice nas Audiências Gerais abordou, por último, a constituição Sacrosanctum Concilium. O texto, dedicado à liturgia, é o tema da terceira e última reportagem da série do noticias.cancaonova.com sobre os documentos do Concílio Vaticano II.
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Promulgada por São Paulo VI em 4 de dezembro de 1963, a Sacrosanctum Concilium foi o primeiro documento aprovado pelo Concílio Vaticano II. À época, a Igreja reconheceu a necessidade de uma atualização litúrgica, abordada pela constituição.
O assessor da Comissão para a Liturgia da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), frei Luís Felipe Marques, indica que um dos objetivos da renovação das celebrações litúrgicas foi favorecer a participação plena, consciente e ativa dos fiéis.

Frei Luís Felipe Marques, OFMConv / Foto: Arquivo Pessoal
A partir da reforma, buscou-se recuperar a riqueza da tradição da Igreja, simplificar os ritos, dar maior destaque à Palavra de Deus, reafirmar a centralidade do mistério pascal de Cristo, valorizar os diversos ministérios, permitir um uso mais amplo das línguas vernáculas, favorecer adaptações legítimas às diferentes culturas e tornar mais evidente a relação entre a liturgia, a fé e a vida cristã, sempre preservando a substância e a unidade do rito romano.
A liturgia e o mistério da Igreja
Em sua primeira catequese sobre a Sacrosanctum Concilium, na Audiência Geral de 20 de maio, Leão XIV refletiu sobre a liturgia e o mistério da Igreja. Em relação a isso, frei Luís Felipe sublinha que a participação dos fiéis acontece na relação entre o humano e o divino, o simbólico e o ritual, o visível e o invisível.
“Os textos, os gestos, os ritos e os símbolos revelam a obra da redenção e tornam presente a ação salvífica de Cristo. Esses elementos não apenas sinalizam essa presença, mas comunicam o mistério que nos alcança pela graça e, ao mesmo tempo, nos introduzem no mistério que somos chamados a contemplar e viver”, declarou o religioso.
Tradição e desenvolvimento
Já na catequese de 27 de maio, o Papa abordou a questão da tradição e do desenvolvimento da liturgia, indicando que “a Igreja é um organismo vivo”, que cresce e se desenvolve, se adapta e se conforma às circunstâncias e às exigências que se verificam no correr dos tempos.
O assessor da CNBB afirma que a Sacrosanctum Concilium promoveu uma restauração da liturgia em fidelidade à tradição da Igreja. “Mais do que dar continuidade ao que já existia, o Concílio buscou recuperar elementos da Tradição que, ao longo dos séculos, haviam sido obscurecidos por acréscimos ou perdido sua clareza. Não criou uma nova liturgia, mas atualizou o rito romano para expressar melhor o mistério de Cristo e favorecer a participação dos fiéis”, explica.
Segundo o religioso, isso foi possível porque a Tradição é viva: conserva o essencial da fé, ao mesmo tempo em que permite adaptações legítimas, como a inculturação e outros desenvolvimentos pastorais e litúrgicos, sempre preservando a essência da liturgia.
Elementos da liturgia e a Eucaristia
Na catequese de 3 de junho, o Pontífice meditou sobre alguns elementos constitutivos da liturgia: o rito, o sinal e o símbolo. Nela, destacou que “o rito dá forma à ação litúrgica e, através dela, à nossa vida, gerando em nós uma sensibilidade espiritual que nos torna capazes de nos deleitarmos com a presença de Deus”.
Por fim, no dia 24 de junho, o Santo Padre dedicou sua reflexão na Audiência Geral à Eucaristia. Frei Luís Felipe assinala que a Sacrosanctum Concilium apresenta a Eucaristia como o centro de toda a vida litúrgica e cristã. Nela, torna-se presente o mistério pascal de Cristo, por meio do qual a Igreja é santificada e oferece ao Pai o perfeito louvor.
“O documento destaca que a Eucaristia é memorial do sacrifício de Cristo, banquete pascal e fonte e ápice de toda a vida da Igreja. Ao reafirmar essas dimensões e favorecer uma participação mais plena e consciente dos fiéis, o Concílio ajudou a compreender mais profundamente a riqueza desse sacramento e seu lugar central na vida cristã”, conclui o religioso.




