Catequese

Papa: aquilo que se celebra na liturgia deve ser vivido no cotidiano

Nesta quarta-feira, 20, Leão XIV iniciou um ciclo de reflexões sobre a Constituição sobre a Sagrada Liturgia Sacrosanctum Concilium

Da Redação, com Vatican News

Papa acena para uma multidão de fiéis durante audiência geral desta quarta-feira, 20. Cercado por pessoas que registram o momento com celulares, o Pontífice aparece em pé no papamóvel saudando os presentes.

Papa saúda fiéis durante Catequese desta quarta-feira, 20 /Foto: REUTERS/Yara Nardi

O Papa Leão XIV iniciou, na Audiência Geral desta quarta-feira, 20, realizada na Praça de São Pedro, uma série de catequeses sobre o primeiro documento promulgado pelo Concílio Vaticano II: a Constituição sobre a Sagrada Liturgia Sacrosanctum Concilium. Ao elaborar essa Constituição, os padres conciliares pretenderam não apenas empreender uma reforma dos ritos, mas também conduzir a Igreja à contemplação e ao aprofundamento do vínculo vivo que a constitui e a une: o mistério de Cristo.

“A liturgia, com efeito, toca o próprio coração deste mistério: ela é simultaneamente o espaço, o tempo e o contexto em que a Igreja recebe de Cristo a sua própria vida”, frisou o Papa, recordando o “Mistério cristão: o evento pascal, ou seja, a paixão, a morte, a ressurreição e a glorificação de Cristo, que precisamente na liturgia nos é tornado sacramentalmente presente, de modo que cada vez que participamos na assembleia reunida ‘em seu nome’ estamos imersos neste Mistério”.

O Santo Padre afirmou que o próprio Cristo é o princípio interior do mistério da Igreja, povo santo de Deus, nascido do seu lado traspassado na cruz. Na sagrada liturgia, enfatizou, Jesus, com o poder do seu Espírito, continua a agir, santifica e associa a Igreja, sua esposa, à sua oferta ao Pai. Cristo também exerce o seu sacerdócio absolutamente único, estando presente na Palavra proclamada, nos sacramentos, nos ministros que celebram, na comunidade reunida e, de modo supremo, na Eucaristia.

Eucaristia

Leão XIV recordou Santo Agostinho ao ressaltar que, ao celebrar a Eucaristia, a Igreja «recebe o Corpo do Senhor e torna-se aquilo que recebe»: torna-se o Corpo de Cristo, «morada de Deus, por meio do Espírito». “Esta é «a obra da nossa Redenção», que nos configura a Cristo e nos edifica na comunhão”, frisou.

Na sagrada liturgia, o Pontífice enfatizou que essa comunhão realiza-se «por meio de uma boa compreensão dos ritos e orações», citando o número 48 da Sacrosanctum Concilium. “A ritualidade da Igreja expressa a sua fé e, ao mesmo tempo, molda a identidade eclesial”.

“Se a liturgia está ao serviço do mistério de Cristo, compreende-se por que razão foi definida como «simultaneamente a meta para a qual se encaminha a ação da Igreja e a fonte de onde promana toda a sua força». É verdade que a ação da Igreja não se limita apenas à liturgia; no entanto, todas as suas atividades — a pregação, o serviço aos pobres, o acompanhamento das realidades humanas — convergem para este «culminar»”, disse ainda o Santo Padre.

De acordo com o Papa, em sentido inverso, a liturgia sustenta os fiéis, mergulhando-os sempre e de novo na Páscoa do Senhor. Por isso, através da proclamação da Palavra, da celebração dos sacramentos e da oração comum, eles são revigorados, encorajados e renovados no seu empenho de fé e na sua missão. Em outras palavras, a participação dos fiéis na ação litúrgica é simultaneamente «interior» e «exterior».

Liturgia no concreto da vida

A liturgia é chamada a manifestar-se concretamente ao longo de toda a vida cotidiana, numa dinâmica ética e espiritual, de modo que a liturgia celebrada se traduza em vida e exija uma existência fiel, capaz de concretizar o que foi vivido na celebração, exortou o Papa. “É assim que a nossa vida se torna «sacrifício vivo, santo, agradável a Deus», realizando o nosso «culto espiritual»”, complementou.

Leão XIV sublinhou que a liturgia «edifica os que estão na Igreja em templo santo no Senhor» e forma uma comunidade aberta e acolhedora para com todos. O Pontífice acrescentou que ela é, de fato, habitada pelo Espírito Santo, introduz todos na vida de Cristo, torna todos o seu Corpo e, em todas as suas dimensões, representa um sinal da unidade de toda a humanidade em Cristo.

Por fim, o Santo Padre convidou os fiéis a se deixarem moldar interiormente pelos ritos, pelos símbolos, pelos gestos e, sobretudo, pela presença viva de Cristo na liturgia.

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