Em audiência com membros do Ordinariado Militar para a Itália neste sábado, 7, Leão XIV enfatizou missão do cristão militar na promoção da paz
Da Redação, com Vatican News

Foto: Reprodução Vatican News
O Papa Leão XIV recebeu, neste sábado, 7, os membros do Ordinariado Militar para a Itália, que comemora seu centenário.
O Pontífice iniciou seu discurso indicando que a sociedade atual corre o risco de perder o sentido da memória. “A nossa época possui uma capacidade extraordinária de transmitir informações, mas uma capacidade cada vez mais fraca de interiorizá-las”, enfatizou.
Para a Igreja, contudo, a memória é “consciência viva”: não se trata de mero acúmulo de dados, mas constante apelo à responsabilidade, não é mera nostalgia, mas raiz que gera profecia. “Para os cristãos”, destacou o Santo Padre, “a memória tem um caráter único: é celebração de Deus que entra na história, porque a fé cristã se fundamenta em um fato histórico e a salvação não é uma ideia, mas a pessoa viva do Senhor Jesus Cristo”.
Segundo Leão XIV, o centenário do Ordinariado Militar para a Itália se insere nessa mesma lógica, como “memória encarnada de uma história concreta”. É uma trajetória feita de homens de farda que, em caminhada na Igreja, nos dias luminosos de paz e nos dramáticos da guerra, com sacrifício, coragem e dedicação, contribuíram para o crescimento da sociedade.
A missão do cristão militar
“A ação do capelão militar”, explicou o Papa, “desenvolve-se frequentemente no silêncio, em locais de paz e aqueles de conflito, em instalações militares”. Neste sentido, evidencia-se a importância dos contextos formativos, “lugares nos quais se moldam as consciências”.
O Pontífice recordou ainda que “o capelão se coloca também a serviço do diálogo entre os povos, as culturas e as religiões, testemunhando uma Igreja que se faz instrumento de unidade”. Deste modo, contribui para a promoção do bem comum e da paz social, fruto de um paciente trabalho artesanal, que requer formação, justiça e caridade.
O Santo Padre ressaltou que os homens, enquanto pecadores, estão e estarão sempre sob a ameaça da guerra até a vinda de Cristo. Contudo, na medida em que conseguem, unidos no amor, vencer o pecado, vencem também a violência. E é nesse horizonte que se situa a missão do militar cristão.
Leia mais
.: Em março, Papa pede orações pelo desarmamento e pela paz
.: Papa enfatiza: guerra voltou a estar na moda, mas paz continua possível
Defender os fracos, tutelar a convivência pacífica, intervir em calamidades, atuar em missões internacionais para guardar a paz e restabelecer a ordem – tudo isso não pode reduzir-se a mera profissão: é uma vocação, resposta a um chamado que interpela a consciência.
“A identidade do militar é forjada por generosidade, espírito de serviço, altas aspirações e sentimentos profundos”, destacou Leão XIV. “Tais valores exigem um fundamento, um dom da Graça capaz de alimentar a caridade até a dedicação total de si. É necessário, portanto, inspirar com a seiva do Evangelho os códigos, as normas e as missões da vida militar para que, no serviço à segurança e à paz, o bem comum dos povos esteja sempre em primeiro lugar”, acrescentou.
Caridade, lei fundamental
Ao final de seu discurso, o Papa afirmou aos presentes que, para a promoção do Evangelho da Paz, “o Ordinariado Militar para a Itália, através da cura espiritual, quer ser um laboratório eficaz da ação de Deus em favor do homem”, um local onde a paz não é apenas ausência de conflito, mas plenitude de justiça, de verdade e de amor.
Nesta perspectiva, o Pontífice encorajou-os a prosseguirem na realização dos projetos voltados a promover uma reflexão interdisciplinar sobre os desafios do mundo atual, sobre a inculturação da fé, sobre a relação entre Evangelho, cultura, ciências e novas tecnologias.




